Na Análise Política da Semana de sábado (02), o companheiro Rui Costa Pimenta fez a seguinte advertência à ala frente-amplista que tenta sequestrar o movimento Fora Bolsonaro: “O Bloco Vermelho, ou seja, todos aqueles que têm consciência, vai crescer, vai dominar os atos e vai acabar botando pra fora esses picaretas que estão tentando tomar de assalto o ato. É isso que vai acontecer.”
Longe de ser uma ameaça fora da realidade, o comentário reflete a tendência do que vem acontecendo no movimento e também no cenário político. A polarização se acentua cada vez mais, conforme a crise econômica e as condições de vida da população se degradam. Por outro lado, a direita entrou em cena ─ com total apoio da esquerda frente-amplista ─ tentando impor uma terceira via, sabotando e buscando transformar os atos em meros comícios eleitorais dos golpistas.
O confronto entre bate-paus do PSDB e militantes do PCO, do PT e de outras organizações da esquerda no 3 de julho na Avenida Paulista foi um primeiro sintoma do rechaço popular à presença da direita nos atos. O apoio nas redes sociais à expulsão dos infiltrados tucanos expressou, de maneira massiva, a opinião dos trabalhadores: nenhuma aliança com a direita golpista.
Mais fotos belíssimas do ato #2OutForaBolsonaro no Rio de Janeiro. O Bloco Vermelho avermelhou o ato, foi o maior bloco da manifestação. E animou os manifestantes com a Bateria Zumbi dos Palmares pedindo #LulaPresidente pic.twitter.com/JekMSzfjYt
— DCO – Diário Causa Operária (@DiarioDCO) October 2, 2021
O fato de o povo ter voltado às ruas, após mais de um ano de imobilismo das direções da esquerda, já havia sido um fator de relativa mudança na conjuntura política. O povo na rua, independentemente do maior ou menor nível de consciência política, é sempre uma ameaça à burguesia. Mas a polarização faz com que o povo tenha apenas e tão somente voltado às ruas: faz também com que essa volta seja marcada por um salto na qualidade do movimento popular.
Os trabalhadores ainda não foram em peso aos atos. Existe uma vacilação muito grande na CUT e no PT, que os impede de realizar uma grande campanha nos locais de trabalho e moradia. Entretanto, os setores operários que foram aos atos são os responsáveis, junto com os militantes de base das organizações de esquerda, pela radicalização de um setor do movimento, contrapondo o setor direitista ─ composto pelas direções e aparatos de partidos como PSOL, PCdoB, PDT etc.
Esse setor operário e militante tem se juntado, cada vez mais, como foi visto nos atos de sábado, ao bloco organizado pelo PCO e pelos Comitês de Luta, o Bloco Vermelho. Ele nasceu como resposta à tentativa da esquerda frente-amplista de transformar os atos dos trabalhadores, vermelhos por natureza, em atos verde e amarelo ─ em atos bolsonaristas.
Já temos mais de 20 mil pessoas na Avenida Paulista #2OutForaBolsonaro Nas primeiras falas, após música animada do companheiro Jadir, o povo gritou "Lula Presidente" e 3ª via é 'meuzovo'. O @PCO29 está estreando a gigantesca faixa Lula Presidente, de 200 m². Venha você também! pic.twitter.com/YEc2rrrGDx
— DCO – Diário Causa Operária (@DiarioDCO) October 2, 2021
Nesse sábado o Bloco Vermelho foi um dos maiores blocos em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, onde ocorreram os dois principais atos do País. Em outras capitais, como Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife ou em Brasília, ele também se destacou, agrupando sindicatos e setores da CUT. Já em Florianópolis, o Bloco Vermelho foi simplesmente o responsável pela realização do ato, uma vez que a “operativa” da Frente Fora Bolsonaro (PSOL, PCdoB e PDT) decidiu, unilateralmente, trair os manifestantes e cancelar o ato ─ o Bloco Vermelho foi quem manteve e realizou o ato.
O Bloco Vermelho vem se consolidando como o setor radical, combativo e revolucionário do movimento Fora Bolsonaro. É sua ala extrema-esquerda. E está crescendo, reunido aqueles que não admitem o sequestro da luta pelo Fora Bolsonaro por parte da direita golpista para que esta derrota o movimento e mantenha Bolsonaro no poder.
Nos próximos dias, importantes decisões deverão ser tomadas, entre elas o possível anúncio de uma plenária nacional do Bloco Vermelho para discutir os rumos do movimento e organizar de maneira ainda mais efetiva o setor revolucionário da luta popular.





