O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), extrapolou completamente a ordem jurídica do país na semana passada ao pretender impedir a realização de manifestações contrárias a Jair Bolsonaro no próximo 7 de setembro em todo o estado.
A decisão evidencia que, longe de ser um obstáculo à ditadura que Bolsonaro e seus milicos querem impor, Doria e sua frente ampla apenas disputam o comando da ditadura. Nem mesmo nos estados governados por políticos publicamente alinhados com Bolsonaro houve uma proibição tão esdrúxula.
O ocorrido mostra também que a chamada frente ampla não serve de nada no que diz respeito a defender os direitos democráticos do povo e seus interesses contra os golpistas.
A direita golpista está totalmente alinhada a Bolsonaro quando o inimigo são os trabalhadores e o povo pobre. Quando se trata de atacar a população, a frente ampla atua perfeitamente, mas nesse caso não alinhando-se com a esquerda, e sim com Bolsonaro!
Além disso, a direita tradicional, de Doria e do PSDB, demonstrou novamente sua fraqueza diante de Bolsonaro no Congresso e no STF. Augusto Aras foi reconduzido pelos parlamentares à Procuradoria-Geral da República (PGR), enquanto Alexandre de Moraes, o novo herói da esquerda pequeno-burguesa, ficou calado e estendeu o tapete para Bolsonaro e sua corja fazerem suas estripolias fascistas neste 7 de setembro.
A esquerda parlamentar pequeno-burguesa, completamente apegada e dependente do regime político caduco, insiste em aliar-se e em ficar a reboque de seres tão impotentes contra Bolsonaro e traiçoeiros com ela própria. Esse não é o caminho para derrotar Bolsonaro.
Se a esquerda quer derrubar Bolsonaro, precisa entender que, para isso, será preciso romper radicalmente com a direita dita “democrática”. Não adianta retirar Bolsonaro da presidência da República para empossar em seu lugar um Mourão, um Alexandre de Moraes, um João Doria. É preciso derrubar Bolsonaro e toda a direita golpista.
A única maneira de fazer isso é aliando-se com aqueles que realmente não têm nada a perder com uma empreitada como essa: os trabalhadores. É por esse caminho que passa a derrota de Bolsonaro e do golpe. Nada de frente ampla, e sim à frente única das organizações de massas e dos trabalhadores!
Neste 7 de setembro, é preciso reforçar sem hesitação os atos da esquerda, que já estão marcados para ocorrer em quase 200 cidades do Brasil. É preciso contrapor os atos bolsonaristas com o povo de vermelho nas ruas de todo o País. É necessário mobilizar todos os sindicatos, com caravanas de ônibus para as capitais, caravanas também saindo dos acampamentos de sem terra, dos assentamentos, das ocupações, ônibus vindos dos bairros operários para os centros urbanos. A esquerda precisa impulsionar a mobilização com panfletagens todos os dias nos horários de pico, colagens de cartazes, carros de som, ligações telefônicas.
São os trabalhadores que irão derrotar Bolsonaro e toda a direita golpista.





