As manobras da burguesia para as eleições de 2022 estão na ordem do dia. Como alternativa à Bolsonaro, a direita articula uma solução para dar sequência à cartilha neoliberal. E quem, dentro do leque de opções da burguesia, poderia dar conta do recado? Não seria nem um pouco estranho se o candidato da direita saísse do partido tradicional da burguesia neoliberal, o PSDB. Mas essa tarefa não é tão simples. Como o PSDB não tem voto, essa terceira via, como se pode observar, investe na cooptação de um eleitorado esquerdista. Uma das principais manobras parra essa cooptação tem sido a propaganda identitária.
Lançado o balão de ensaio, o candidato gay da direita golpista, Eduardo Leite (PSDB) “Bolsogay”, governador do Rio Grande do Sul, abriu o caminho para a investida golpista. Com a corrida ainda indefinida, João Doria (PSDB), governador de São Paulo, percebeu que o caminho das pedras é pela “esquerda”. O governador responsável por dar comida estragada às crianças da rede pública de ensino, jogar água nos dependentes químicos e moradores de rua, decidiu passar uma borracha rosa em seu passado impiedoso. Com vistas às eleições de 2022, o empresário tucano almeja a presidência da República através de uma remodelação artificial de sua conduta. Doria está com uma das mãos no troféu do governador mais identitário do Brasil. Criação da secretaria da Diversidade, fotos com a bandeira LGBT, projetos sociais etc., Doria está no trilho que passa da extrema-direita à esquerda como maquinista da locomotiva golpista a caminho da rampa do planalto central. E é com o mesmo sorriso plastificado que ele acena para os desalentados ao definir o seu método de segregação; o passaporte da vacina é a forma como Doria “o civilizado” encontrou para oprimir a população. Sem um controle minimamente eficiente da pandemia e números baixíssimos de vacinação, é essa a solução que a direita que colocou Bolsonaro na presidência quer utilizar para “controlar o avanço do vírus”. Tudo isso para não gastar dinheiro com a população.
Doria não é somente um facínora capaz de dar comida estragada para crianças. Ele assumiu a dianteira na defesa da extrema-direita e reservou a Avenida Paulista no dia 7 para os bolsonaristas. Mas não apenas isso – proibiu a esquerda de se manifestar no mesmo dia, mesmo que em lugar diferente da extrema-direita. Isso, no entanto, causou um abalo na esquerda. Ao convocar para a manifestação do dia 7 de setembro no Vale do Anhangabaú, a esquerda se viu confrontada com a decisão ditatorial de Doria. Isso demonstrou que Doria não é diferente do Bolsonaro. Ao proibir a manifestação da esquerda e reservar a Avenida Paulista para a extrema-direita, o tucano demonstra que é um bolsonarista enrustido – ou melhor, um bolsonarista identitário.
Doria seria a caricatura brasileira de Joe Biden (Democratas) enquanto Bolsonaro seria a encarnação de Trump (Republicanos). Como num jogo de dados viciados, ambos podem chegar no segundo turno obrigando a esquerda à optar pelo “mal menor”. Nesse caso ,como no dos EUA, o identitarismo serviria aos golpistas como uma isca amarrada em uma vara de pescar nas mãos de um hábil pescador. Bastaria chacoalhar a isca no mar de mentiras da imprensa golpista que os incautos da esquerda pequeno-burguesa a abocanhariam.





