A derrota imperialista no Afeganistão para o Talibã e o povo afegão mexeu muito com a esquerda pequeno-burguesa brasileira. Tão adaptada ao regime burguês que se tornou um apêndice dos capitalistas, ela chorou junto com Biden e Trump a expulsão das tropas norte-americanas pelos criadores de cabras da Ásia Central.
Para justificar seu apoio ao imperialismo, a esquerda nacional inventou mil e uma desculpas. Mas nenhuma é original e muitas delas não passam de frases repetidas da imprensa burguesa.
O Talibã não poderia ser apoiado em sua luta contra os EUA porque é um grupo religioso fundamentalista, reacionário, que oprime as mulheres. Mas quem liderou a expulsão dos EUA, com grande apoio popular, foi o Talibã. Não há nenhum partido revolucionário no Afeganistão e nenhuma força de ideologia progressista tem alguma relevância na luta política do país.
Logo, a única força capaz de expulsar os EUA era justamente o Talibã. E essa organização, logo após a tomada do poder, está sofrendo um profundo ataque do imperialismo derrotado. Muita propaganda de guerra contra os talibãs e promoção de grupos opositores por parte do imperialismo. Apesar da expulsão dos EUA, a luta do Talibã e do povo afegão contra o imperialismo continua.
Em uma luta na qual só há dois lados (o do Talibã e do povo afegão contra o imperialismo), não há meio-termo. Ou se está a favor do Talibã e contra o imperialismo, ou se está contra o Talibã e a favor do imperialismo.
A esquerda brasileira, ao ficar contra o Talibã, portanto, está ao lado do imperialismo. Tal como Peter Pan e seus amigos, ela vive na Terra do Nunca. Um lugar mágico dentro do qual as pessoas não crescem, não amadurecem. A esquerda tem um pensamento extremamente infantil a respeito de tudo o que é relacionado com a vida política e a sociedade. Um pensamento idealista, que diz a ela que as coisas deveriam ser perfeitas, e perfeitas, nesse caso, leia-se da forma como a esquerda gostaria que as coisas fossem.
Esse pensamento atrasado impede a evolução política da esquerda pequeno-burguesa, agora fisgada integralmente pelo identitarismo imperialista. Sem conseguir analisar o mundo de um ponto de vista material, concreto, ela cai nos mais esdrúxulos equívocos.
Seu idealismo e moralismo a levam a apoiar o opressor contra o oprimido acreditando que está apoiando o oprimido contra o opressor.
Como uma criança ingênua, é enganada pelos mais crescidos. É feita de boba. Vai atrás do Tio Sam que, com um chapéu colorido e um pacote de doces, a faz acreditar que o melhor caminho é à direita e não à esquerda. Embora ela siga acreditando que o Tio Sam a está levando para a esquerda, e não para a direita.
Mas essa esquerda, tal como Peter Pan, não quer crescer. Quer viver para sempre na encantada e maravilhosa Terra do Nunca. Infelizmente, para ela, essa fantasia só existe em sua cabeça e o mundo real é muito concreto. Quem sabe um dia ela acorde desse conto de fadas e perceba que os ataques que faz ao Talibã são ataques a todo o povo afegão, um povo oprimido, e que beneficiam o verdadeiro opressor, o imperialismo.





