Em entrevista ao programa Roda Viva, nosso grande expoente cultural, o cantor e compositor Martinho da Vila, interrogado sobre suas posições anteriores sobre Sérgio Camargo, de maneira crítica, afirmou: “No duro, ele está lá cumprindo seu papel, que é acabar com a Fundação Palmares”.
Fato incontestável este, levando-se em conta as muitas violações criminosas procedidas por este burocrata pau-mandado na direção desta ilustre instituição, a ponto de, continua Martinho, varrê-la do mapa: “pra mim a Fundação Palmares não existe mais!”
Lembremo-nos de que, validando a compreensão do entrevistado, quando da nomeação de Camargo, este antecipou (há quase dois anos): “Minha atuação à frente da Fundação será norteada pelos valores e princípios que elegeram e conduzem o governo Bolsonaro”. E quais seriam estes valores e princípios, senão o de atender interesses de uma burguesia reacionária, do imperialismo e do fascismo? São, no presente caso, dentre tantos cometidos contra o povo, nada mais que submeter e oprimir o povo negro.
Evidentemente, dessa afirmação já se poderia inferir sua política de negação da resistência do negro em sua luta pela liberdade. Está aí a chave para entender o porquê da opinião bombástica do nosso Martinho, ao dizer que este bolsonarista, à frente da Fundação Palmares, seria antes “um preto de alma branca”.
Se entendermos o termo “branco” no significado que o sambista o empresta, vemos que não pode deixar de estar certo, já que o branco a que se refere é o Estado, o patrão, a direita. Sua “alma” é o chicote corrompido, utilizando-se agora de outra imagem atribuída a Camargo: assim como os séquitos de Bolsonaro, bem como os bolsonaristas na alma, é o chicote que bate no povo.




