Um debate que com o passar da pandemia se perdeu em meio às lutas políticas relevantes que se colocaram no último período foi o debate sobre a obrigatoriedade da vacina, que se acendeu antes inclusive da perspectiva de vacinação que estamos tendo hoje.
O que deu início à polêmica foi uma ação do STF, que, para se contrapor a Bolsonaro, que na época declarava que a vacinação não seria obrigatória, decretou que a vacinação contra a Covid-19 no Brasil seria obrigatória. A partir daí, vimos uma ampla campanha autoritária e direitista da esquerda em apoio à decisão do STF, onde foram ditos todo o tipo de barbaridades, inclusive contra o povo, para ficar ao lado do STF, sob a bandeira de que devíamos dar ouvido à ciência, e que ser contra uma imposição do governo sobre o que o indivíduo deve ou não fazer com o seu corpo seria negar a razão e contrariar a ciência.
O fato é que, na época, a decisão do STF não foi nada mais que uma imposição gratuita sobre a população, já que no momento da imposição havia uma falta generalizada das vacinas, ou seja, o povo foi obrigado pelo STF a tomar uma vacina que, naquele momento, nem existia.
Quando o assunto estava quente, este diário alertou para o fato de que o apoio da esquerda aos desmandos do estado contra o indivíduo iria se voltar contra a população trabalhadora, raciocínio que deveria ser óbvio, dada a realidade do estado brasileiro, que é um estado dominado pela burguesia, que historicamente não tem interesse no bem estar do povo. Porém, se essa explicação não fosse suficiente para explicar o óbvio, que é que o STF é um órgão golpista contra o povo, podemos inclusive levantar o histórico do STF de atos antidemocráticos contra os governos do PT e contra os trabalhadores.
No fim, aconteceu exatamente o que alertamos que poderia acontecer: o decreto do STF serviu, e está servindo, não para acabar com o “negacionismo”, mas sim para atacar os trabalhadores.
Pouco tempo depois, a burguesia já ventilava a ideia de utilizar a obrigatoriedade como argumento para demitir o trabalhador que não se vacinasse, caso que não teve tanta repercussão na época, até porque se fosse assim, a burguesia teria que demitir todos os seus empregados, já que na época não havia vacina. Mas agora que a vacinação caminha em uma maior velocidade, o decreto veio cumprir a sua real função de ataque aos trabalhadores, pois na Bahia, no Ceará, em São Paulo e em alguns municípios do país, o decreto está sendo usado para obrigar os servidores públicos e candidatos a cargos públicos a se vacinar, caso contrário serão demitidos.
Trata-se de uma total arbitrariedade: inventa-se uma medida para passar por cima dos direitos trabalhistas, ainda mais de uma categoria que tem garantida a estabilidade no emprego pela constituição federal. Também é uma desculpa encontrada pela burguesia para enxugar o Estado, destruir os serviços públicos e facilitar a privatização em massa.
O fato de esse tipo de medida estar sendo empregada por governos de esquerda como Camilo Santana, do Ceará, e Rui Costa, da Bahia, ambos do PT, tem de ser duramente criticado, pois esses governos que eram para ser de esquerda, estão a reboque da política da direita em uma questão primordial que são os direitos individuais. Diferente do que a esquerda tenta pintar, essa política não é a “opinião da ciência” mas sim a política da burguesia, uma política de direita que está sendo replicada pela esquerda bem pensante.





