Neste dia 18 de agosto, milhares de trabalhadores sairão às ruas do País inteiro nos atos nacionais que ocorrerão contra a reforma administrativa e pelo Fora Bolsonaro.
Os servidores públicos, puxados pelos federais, decidiram realizar um dia de paralisação na próxima quarta-feira como uma das formas de impedir tal reforma que, se realizada, poderá colocar no olho da rua muitos servidores. A categoria conta hoje em torno de 13 milhões de trabalhadores e, somando com suas famílias, seriam cerca de 40 milhões de pessoas atingidas pela reforma.
Em reunião da Frente Fora Bolsonaro para decidir os próximos passos após os atos do dia 24 de julho, a CUT e o PCO propuseram que a esquerda e o movimento popular se juntasse aos servidores nos atos do dia 18. A proposta foi aprovada.
No entanto, a esquerda pequeno-burguesa trabalha para boicotar esses atos. Não faz nenhuma propaganda de que haverá ato, ao contrário do que fez nos atos anteriores. Ela gostaria que os próximos atos fossem apenas em 7 de setembro. Por quê?
Ora, porque a direita à qual essa esquerda quer ficar a reboque precisa de tempo para preparar melhor sua infiltração a fim de destruir a mobilização. Pode-se ver que, se nem mesmo a esquerda (com exceção da CUT e dos sindicatos) está falando dos atos do dia 18, logicamente a direita e sua imprensa também não estão fazendo isso.
Por que o PSDB disse que participaria dos atos do dia 3 e 24 de julho? Porque a esquerda pequeno-burguesa frente-amplista (PCdoB e PSOL, principalmente) estavam convidando a direita a participar e, como uma das formas de fazer isso, estavam tentando tornar os atos mais amplos possíveis no sentido de estratos sociais ─ no pior sentido da palavra, trazendo setores da burguesia e da pequena-burguesia direitista através do uso do verde e amarelo e de reivindicações estranhas às massas, como a luta contra a corrupção.
No entanto, não é possível fazer a mesma manobra nos atos do dia 18. Porque são atos essencialmente operários, cuja reivindicação principal é a derrota da reforma administrativa, uma reforma neoliberal. Essa reivindicação, tal como a luta contra a privatização dos Correios e da Eletrobras, é incompatível com a presença da direita, como o PSDB, cujo programa político é exatamente a privatização e o desmonte do Estado brasileiro.
O ato do dia 18 é a prova dos nove. Quem convocar e participar, está do lado dos trabalhadores. Quem não o fizer, está do lado da burguesia, da direita e de Bolsonaro ─ afinal, quem está encabeçando a reforma administrativa e as privatizações dos Correios e da Eletrobras é Bolsonaro.
A esquerda não tem desculpa para não convocar amplamente e não participar. A frente Fora Bolsonaro inseriu o dia 18 na agenda de atos oficiais do movimento pelo Fora Bolsonaro. Se não convocar ─ coisa que realmente não está fazendo, infelizmente ─ e não participar em peso, estará comprovando que não o fez porque não haveria como infiltrar a direita no ato. E a direita comprovará de maneira ainda mais evidente que não tem nada a ver com o movimento pelo Fora Bolsonaro e que só “participa” desse movimento com a finalidade de boicotá-lo.
Mas ao mesmo tempo o ato do dia 18 é uma grande oportunidade para os trabalhadores, justamente porque a direita passará longe de apoiá-lo. É o momento de unir toda a classe trabalhadora: servidores públicos, trabalhadores dos Correios, eletricitários, professores que lutam contra a volta às aulas presenciais, petroleiros, desempregados, aposentados, metalúrgicos, químicos e todas as categorias devem se unir nas ruas nesse dia.
Com 15% de desemprego oficial, mas na verdade com cerca de 80 milhões de pessoas sem emprego; com 120 milhões à beira da fome; com o gás de cozinha custando 100 reais; com pessoas comendo ossos para sobreviver; com demissões em massa nas fábricas, montadoras e outros locais de trabalho; com a privatização dos Correios que coloca em risco o emprego de 100 mil ecetistas e com a reforma administrativa que faz o mesmo com o emprego de 13 mil servidores, é hora da união da classe operária.
Todos às ruas do País inteiro neste dia 18, dia de luta da classe trabalhadora contra Bolsonaro e a direita golpista e neoliberal!





