A situação política nacional anda em um compasso difícil de acompanhar. Por vezes, fatos com grandes significados políticos acabam por passar batidos, ou pelo menos não recebem a devida atenção. Um caso desses é a privatização dos Correios, que foi aprovada na Câmara dos Deputados no dia 5 de Agosto, e neste momento segue para discussão no Senado.
A privatização dos Correios é bandeira histórica dos tubarões neoliberais brasileiros e estrangeiros, e é há anos levantada como prioridade por estes, que argumentam que a empresa seria ineficiente, não lucrativa e um antro para a corrupção governamental. Todos esses argumentos são levantados também contra todas as outras estatais, com maior ou menor ênfase em um ou outro argumento específico dependendo da ocasião.
No caso dos Correios, é comum vermos a pequena burguesia direitista reproduzir a campanha da burguesia contra a estatal, sempre dando ênfase na suposta ineficiência do serviço dos Correios e no incômodo de ter os trabalhadores da categoria fazendo greves, assim paralisando o serviço estatal.
O fato é que por mais justa que a burguesia tente fazer a campanha pela privatização dos Correios parecer, ela não pode ser caracterizada como nada menos que um assalto ao povo brasileiro, que é amplamente beneficiado pelo estado ser dono dos Correios. Esse crime contra os trabalhadores brasileiros é premeditado, já que já estava sendo viabilizado através da anulação do acordo coletivo pelo TST, que em uma canetada, enterrou anos de lutas sindicais importantes da categoria.
A anulação do acordo coletivo foi um passo essencial para a privatização dos Correios, já que sem ele, os trabalhadores perdem as garantias conquistadas nas lutas sindicais dos anos 80, e sem isso, abre-se caminho para o esmagamento total dos trabalhadores, uma necessidade fundamental para o capitalista que for adquirir a empresa, pois no estado de deterioração atual do capitalismo, o eventual novo dono dos Correios não seria capaz de arcar com o suprimento de necessidades básicas dos trabalhadores como plano de saúde, férias e fins de semana, por exemplo.
É importante salientar que os bandidos que aprovaram esse crime contra a população brasileira são os mesmos que têm sido pintados pela esquerda oportunista como “democráticos” e “civilizados”. O mais explícito dos exemplos é o PSDB, que desde o governo Fernando Henrique Cardoso tem feito de tudo e mais um pouco para fazer terra arrasada da economia brasileira. É o caso do governador João Doria, que apesar de toda a bajulação da imprensa golpista, que tenta colocá-lo como um sujeito com uma profunda preocupação com a população e o pinta como salvador da pátria da pandemia com o intuito de viabilizá-lo como candidato da terceira via, tem privatizado tudo o que pode no estado de São Paulo, com a mais escandalosa das ações sendo a concessão de 22 aeroportos por pouco mais de 1 milhão de reais cada.
Por fim, enquanto a burguesia esmaga os trabalhadores com o assalto às estatais, a esquerda os abandona, pois os partidos da esquerda, além de pressionarem para que Doria, Joice Hasselmann, Ciro Gomes, Alexandre Frota e a corja golpista apareçam e se apropriem dos atos Fora Bolsonaro, não estão convocando para o ato do dia 18, em apoio aos servidores públicos. Deixam assim os trabalhadores e suas famílias à própria sorte, e ainda por cima, por vezes, culpam os trabalhadores dos Correios pela privatização, alegando que teriam contribuído com a campanha contra o PT e alegam que teriam queimado a bandeira do PT e estariam tendo o que merecem.





