Em uma matéria publicada nesse sábado, o jornal El País admitiu que as tentativas de infiltração da direita nos atos pelo “Fora Bolsonaro” não obtiveram sucesso algum e, pelo contrário, fizeram com que a direita fosse hostilizada pela população que saiu às ruas.
A matéria do jornal, que possui como manchete “Protestos contra Bolsonaro repetem êxito, mas não extrapolam bolha da esquerda” e que é assinada por Carla Jimenéz, Regiane Oliveira e Mariana Assis, lamenta muito o fato de que a direita presente no ato tenha sido muito hostilizada pela população.
Em alguns dos casos citados, a reportagem cita que uma pedra teria sido jogada por manifestantes contra a ala do PSDB presente no ato, que essa mesma ala teria escutado de uma ativista que passava por ela que “ainda bem que esse bosta morreu”, em referência à morte de Bruno Covas, que pessoas com a camiseta do PCO teriam entrado em uma briga com os tucanos e que a deputada do PDT Tabata do Amaral teria sido vaiada.
É preciso, primeiramente, demonstrar que a matéria do El País é extremamente acertada quanto à hostilidade recebida pelos elementos da direita no ato. Não é para menos. O PSDB é, provavelmente, o partido mais odiado pela população brasileira. Durante sua época na presidência da república, com Fernando Henrique Cardoso como presidente, o PSDB causou uma das maiores ondas de fome pelas quais o país já passou, com cerca de 50 milhões de pessoas abaixo da linha da miséria, além de ter reprimido fortemente os trabalhadores e de ter entregado de graça as maiores riquezas nacionais do povo brasileiro para ricaços ficarem ainda mais ricos, caso da Vale do Rio Doce, de toda a telefonia pública brasileira, de bancos estatais, de parte da Petrobras e do Banco do Brasil e de outros.
O citado Bruno Covas, louvado como um grande democrata após sua morte, na realidade, foi o responsável por ter colocado pedras debaixo de pontes em São Paulo para que moradores de rua não pudessem ali dormir, mesmo em meio à pandemia do coronavírus.
O partido é também identificado como sendo “o” partido do golpe de estado de 2016. Isso porque a direita que tomou conta dos atos de junho de 2013, fizeram uma campanha com características fascistas a favor de Aécio Neves em 2014, incluindo agressões a militantes de esquerda.
Muitos, inclusive, se lembram da piada que se fazia com os direitistas que apoiavam o golpe de 2016, de que eles acreditavam que, caso Dilma fosse derrubada “quem assumiria seria o Aécio”.
No entanto, os direitistas daquela época deixaram de apoiar o PSDB e passaram a apoiar Bolsonaro, tanto que Geraldo Alckmin teve uma das piores votações para presidente da história dos tucanos e o candidato ao governo de São Paulo só ganhou pois escondeu a sigla do PSDB e passou a se chamar de “Bolsodoria” para atrair votos da extrema direita.
Nesse sentido, é extremamente natural que a população presente nas manifestações contra Bolsonaro, não aceite a presença dos direitistas no ato e sejam hostis contra o partido.
No entanto, a matéria tenta apontar que a união entre a direita e a esquerda seria necessária para a derrota de Bolsonaro.
Estaria o jornal do imperialismo espanhol, que é um grande apoiador dos golpes de estado na América Latina, que sempre faz coro para o golpe na Venezuela e que é extremamente hostil ao PT no Brasil, querendo a derrubada de Bolsonaro para que a população fosse liberta da opressão fascista?
Nada disso.
Por trás do tom professoral que tenta “ensinar” a esquerda sobre como deve ser a luta contra um governo direitista, a matéria do El País tenta abrir espaço para que a direita consiga se infiltrar nos atos e repita o que aconteceu em 2013, ou seja, que a direita pareça ser a cabeça do movimento pelo “fora Bolsonaro” para que no ano que vem tenhamos alguém como o bolsonarista e psdebista Eduardo Leite na presidência.
É preciso fazer exatamente o oposto do que tenta pregar a matéria. Não podemos permitir que a direita moribunda, que agora perdeu todo seu apoio para o bolsonarismo mas que o apoia em todas as suas pautas contra os trabalhadores, tentem roubar o ato dos movimentos populares e da esquerda. É preciso intensificar a mobilização nas bases, chamar os trabalhadores e os moradores das periferias, favelas e assentamentos do Brasil para que eles saiam às ruas e determinem os rumos do movimento, não a direita fascista enrustida.