Em meio às eleições mais fraudulentas das última décadas, em que primeiro turno realizado no último dia 15, deram a vitória aos super impopulares partidos que encabeçaram o golpe de Estado de 2016 e dentre estes, principalmente, aos mais tradicionais partidos da direita nacional, herdeiros da Arena, o partido oficial da ditadura militar, a saber o DEM, PSD e PP, a maioria das direções da esquerda, resolveram adotar uma posições de apoio a setores dessa direita ou consorciados com ela a pretexto de “ampliar a derrota de Bolsonaro”, que – na versão – da direita, repetida por essa esquerda, teria sido o maior derrotado no pleito de domingo passado.
Assim, por exemplo, o Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro emitiu nota oficial apoiando a candidatura do candidato do DEM, Eduardo Paes, que disputa o segundo turno com Crivella na capital fluminense.
Na nota, assinada pelo presidente Tiago Santana, assinala que
Desta forma, dirigentes do maior partido de esquerda do País, resolveram apoiar o candidato do Partido que não só foi um dos pilares do golpe de Estado que derrubou o governo da presidenta Dilma Rousseff (do qual Crivela era ministro), como também foi a organização partidária que liderou a aprovação dos maiores ataques contra os trabalhadores brasileiros no Congresso Nacional, justamente sob o comando do deputado diretista, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados por três mandatos (e candidato a um quarto), o principal padrinho político de Paes.
Seguindo a linha de auxiliar os maiores inimigos do PT e do povo brasileiro, a Executiva Municipal do PT de Fortaleza decidiu, por sua vez, apoiar a candidatura de Sarto Nogueira (PDT) à Prefeitura de local, no segundo turno da disputa.
Em apoio à essa iniciativa, o jornalista petista Breno Altman disse que eleitores progressistas de
Fortaleza precisam votar no candidato do PDT, candidato dos irmãos Ferreira Gomes, Sarto Nogueira.
Segundo ele,
A pretexto de se opor ao candidato bolsonarista, os “progressistas” deveriam apoiar os candidatos do Ciro “Lula tá preso babaca” e do seu irmão que votou a favor da privatização água, em favor de empresa como a Coca-Cola, Nestlé etc.
Mostrando que a direita, além da vitória eleitoral obtida ao conquistar a prefeitura de mais de 4.500 municípios, está tento êxito em confundir, ludibriar e dividir a direita que – junto com todo o povo brasileiro – sofreu ( e ainda sofre) com o golpe de Estado, o PCdoB de Recife divulgou nota de apoio, ao candidato João Campos, do PSB, à Prefeitura da capital pernambucana, contra a candidata do PT, Marília Arraes o quengo chega a ser uma novidade, uma vez que o Partido integra o reacionário governo estadual do PSB, com a presidenta nacional do PCdoB, ocupando a vice-governadoria.
A nota dos “comunistas” assinala que a opção pela candidatura de Campos se deve à construção da chamada Frente Popular na cidade, que apesar do nome comum com a chapa formada pelo PT e PCdoB (entre outros) em diversas eleições nacionais anteriores, no Recife é formada pelo MDB, PSD, Rede, PV, PROS, Avante, Republicanos, PP, Solidariedade e PDT, além – é claro – do PSB e PCdoB.
Sem dar maiores explicações à nota do PCdoB afirma que as “forças de direita” estariam apoiando a
candidatura de Arraes.
Nem mesmo se dá ao trabalho de explicar o caráter supostamente progressista dos seus aliados, inclusive dos partidos bolsonaristas, como Republicanos (o mesmo de Crivela, no Rio), além das grandes máquinas golpistas como MDB e PSD, que – por certo – teriam se transformado, magicamente, em “forças de esquerda”, na versão fantasiosa do PCdoB.
De conjunto, a política dos setores mais poderosos da direita brasileira (que não são os bolsonaristas), que se aliaram a Bolsonaro para impedir a vitória da esquerda, é – neste momento – justamente convencer uma parcela importante da população de que a direita se transformou em uma forca “progressiva”. Isso da noite para o dia, em pleno genocídio do povo com cerca de 170 mil mortos “oficiais” na covid e gigantescos retrocessos na vida da maioria do povo da qual essa direita é mais responsável até mesmo do que Bolsonaro.
Esse balanço falsificado, positivo, sobre a vitória do bloco direitista através das eleições controladas por eles próprios vai no sentido de forçar um racha entre o eleitorado operário e o de classe média, para viabilizar uma chapa em que a esquerda, liderada pelo Partido dos Trabalhadores e por seu principal líder Lula, não tenha nenhuma de derrotar.
Essa chapa, que ainda não está definida, é o avanço da política de frente ampla com a direita golpista, defendida – justamente – pelo PCdoB (que ataca o PT no CE); por Boulos e pelo PSOL (que foram beneficiados com a falsificação das pesquisas e toda a fraude em São Paulo etc.
A direita, amplamente repudia pelo povo, derrotada em cinco eleições nacionais consecutivas (quatro vezes pela esquerda e uma pela extrema direita) está buscando “ressuscitar”. O “zumbi” direitista agora é apresentado como “progressista” pela Rede Globo e toda imprensa golpista e também por setores da esquerda.
Os setores classista e revolucionários precisam combater essa fantasia macabra e dar a luta por uma alternativa independente dos trabalhadores diante da situação, a luta por Fora Bolsonaro e todo os golpistas, e pela única unidade da esquerda que serve para fazer evoluir a luta contra os ataques da direita, a unidade em torno da liderança de Lula e da sua candidatura presidencial, capaz de levantar a maioria do País contra o regime golpista.




