Passados mais de 1 ano e 4 meses desde o crime praticado pela mineradora Vale, agente da destruição de Brumadinho (MG), os moradores do município mineiro permanecem em situação de desamparo, agravada pela pandemia da Covid-19. Por conta disso, a partir do dia 14 de maio, puderam ser vistas diversas manifestações realizadas pela população contra o escárnio que vem sendo cometido, ainda hoje, pela empresa criminosa.
Desde janeiro deste ano, a Vale resolveu passar por cima do acordo feito com o Ministério Público, a Defensoria Pública e o governo de Minas Gerais, reduzindo à metade o pagamento já irrisório do valor auxiliar para a maior parte da população de Brumadinho, que sofreu e segue sofrendo prejuízos materiais e psicológicos incalculáveis — além de vivenciar os danos econômicos e ambientais irreversíveis presentes na cidade.
Durante a manhã de sexta-feira (5), trabalhadores cercaram um prédio pertencente à Vale, impedindo seu funcionamento, e fecharam uma rodovia na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em meio a faixas com palavras de ordem e manifestantes fazendo uso de máscaras, o protesto exigia o pagamento integral do auxílio aos atingidos pelo rompimento da barragem causado por absoluta negligência.
Em relatório feito pelo Comitê Independente de Assessoramento Extraordinário de Apuração (CIAE-A), foi declarado que a estrutura da barragem rompida em janeiro do ano passado apresentava debilidades desde 1994. Esse fato foi categoricamente ignorado pela Vale ao longo do tempo, correspondendo à lógica capitalista de investimento mínimo e lucros altíssimos — prática que vem sendo intensificada pelas empresas em tempos de violenta crise econômica.
O resultado do descaso e da política de manutenção soberana de lucros foi a produção de uma enxurrada de lama tóxica que se espalhou por mais de 46 quilômetros, atingindo animais, casas, carros, rios como Paraopeba e afluentes do São Francisco e devastando, aproximadamente, 125 hectares de floresta. Além, é claro, de promover a morte de 259 pessoas, sem contabilizar as 11 ainda desaparecidas.
Apesar da intencionalidade, não houve punições à mineradora nem estabelecimento judicial de indenizações às vítimas, o que comprova que o discurso de solidariedade sustentado pela empresa é puramente demagógico, sendo amplamente comprado por setores da burguesia e divulgado pela mídia corporativa. Fica evidente, portanto, que, enquanto a Justiça estiver sob domínio do Estado burguês, a classe trabalhadora seguirá refém da ganância mortal capitalista.