Nos Estados Unidos, dados recentemente divulgados chamam a atenção para as altas taxas de infecção e de mortes entre a população negra desse país causadas pelo coronavírus:
O estado de Illinois, com 15% de sua população negra, apresenta 35% dos casos e um número de mortes em 40%. A própria cidade de Chicago, com 30% de seus moradores negros, possui metade dos casos confirmados perfazendo um total de 70 % das mortes.
Michigan tem 14% da população negra e um terço dos casos de covid-19, com 40% do número de mortes.
Wiscosin: No condado de Milwaukee , 26% da população é negra e representa 81% de mortes.
Louisiana: 32% da população é negra com 70% das mortes. Na cidade de de Nova York negros são 22% da população com registro de mortes em 28%.
Os Estados Unidos têm os negros como a maior parcela da população de rua desassistida e de encarcerados, sendo esse mais um reflexo da sua herança segregacionista e escravocrata como parte da luta de classes. Historicamente a população negra vem sendo afetada por doenças e infecções à exemplo da AIDS.
A guerra às drogas vem como justificativa para o encarceramento em massa da população. Outra crise amplamente conhecida e sem solução é a do racismo sistemático dentro do sistema de saúde. Essas disparidades na saúde prevalecem na comunidade afro-americana e a pandemia do coronavírus está pondo luz nisso. É menos provável que os negros tenham seguro e acesso a exames médicos com preços acessíveis. Os americanos negros também são mais propensos a condições subjacentes, como hipertensão, diabetes, pressão alta e asma.
O racismo sistêmico do país e o preconceito dentro do sistema de saúde resultam em dados cronicamente piores para os negros americanos. A taxa de mortes afro-americanas é parcialmente representativa de um sistema altamente arraigado pela desigualdade. Americanos negros foram forçados a “distanciamento social” muito antes do coronavírus. Se não forem abordadas as desigualdades estruturais no país, a luta pela recuperação será desigual e permanente.
Por décadas, os negros e os nativos americanos estão sujeitos a um tipo diferente de distanciamento social na América: segregação e discriminação. Políticas, construídas sob uma hierarquia racial, sempre isolaram negros e indígenas próximos da poluição e em áreas mais suscetíveis a desastres naturais.
O COVID-19 não discrimina, mas a política dos EUA sim, de maneira que agora deixa os negros e pardos mais vulneráveis aos efeitos da pandemia. Habitação, moradias e escolas segregadas são manifestações da longa história de discriminação legal dos Estados Unidos, que têm ramificações na crise atual.
No Brasil pretos e pardos são quase 1 em cada 4 (23,1%) dos brasileiros hospitalizados com Síndrome Respiratória Aguda Grave e chegam a 1 em cada 3 entre os mortos pelo novo coronavírus (32,8%). A população branca ocorre o contrário: representa 73,9% entre aqueles hospitalizados com Covid-19, mas 64,5% entre os mortos. Os são do Ministério da Saúde de sexta-feira, 10 de abril de 2020.
O racismo é sim um marcador decisivo dentro desses dados relativos à pandemia, porém não devemos nos surpreender já que ele sempre esteve atrelado à políticas de extermínio da população negra numa continuidade política de Apartheid. No Brasil a própria recomendação de quarentena parece um deboche diante de uma população que sempre esteve exposta às piores condições de moradia, em bairros e ocupações sem saneamento. Trabalhando como cobradores de ônibus, garis, servidores de limpeza e manutenção, recolha de lixo, ou seja, em situações em que é impossível o isolamento social. Trabalhar ou morrer de fome sem assistência e sob as botas de um governo fascista, aliado dos banqueiros e do imperialismo genocida. Não lembra em nada Soweto?
De nada servirá uma postura chocada e paralisada dos movimentos negros no nosso país se todo este colapso já era algo além do esperado, pois sempre existiu uma sCeparação muito evidente entre quem vai viver e quem vai morrer. É mais do que urgente a formação de conselhos populares dentro das comunidades urbanas afro-indígenas e quilombolas. Não confiar em governantes da burguesia aliados a fascistas!



