O governo fascista de Jair Bolsonaro, em junho, alçou o diretor teatral, Roberto Alvim, ao comando do Centro de Artes Cênicas da Fundação Nacional das Artes (Funarte), e o nome escolhido tem mostrado serviço para não decepcionar o chefe.
Pondo em prática o seu plano de criar “uma máquina de guerra cultural” com os “artistas conservadores” para destruir a arte e a cultura nacionais, Alvim censurou sumariamente a realização da temporada de estreia da peça RES PUBLICA 2023, do grupo teatral Motosserra Perfumada, prevista para outubro, no Complexo Cultural da FUNARTE, em São Paulo. De modo arbitrário, a decisão de censurar a peça tomou por base apenas a sinopse do texto e foi justificada com o argumento de que ela não reúne “qualidade artística” para ocupar uma das salas do Complexo.
Questionado sobre a sua decisão autocrática, o diretor foi ao Facebook se explicar: “Reduções do conceito de ARTE a ativismos políticos, discursos diretos ou propagandas partidárias/ideológicas NÃO terão mais lugar em nossos equipamentos culturais. É uma questão de escolha conceitual”. Em outro post na sequência, mandou um alerta para o universo: “Dou aqui uma notícia para os que usam a arte como veículo de agendas ideológicas: sua hegemonia na cultura brasileira ACABOU”.
Admirador do guru e astrólogo Olavo de Carvalho, Roberto Alvim está perfeitamente alinhado com o governo Bolsonaro na luta contra a “doutrinação ideológica da esquerda” e na guerra contra o “marxismo cultural”, duas desculpas hipócritas e cínicas para impor goela abaixo da sociedade sua ideologia fascista e reacionária e perseguir os artistas e as manifestações culturais autenticamente avançadas, críticas e populares.
A montagem de um amplo aparelho de censura oficial pelo governo Bolsonaro evolui a olhos vistos e já é bastante perceptível. Caso não encontre resistência por parte dos artistas, da classe operária e dos setores explorados em geral, os casos de peças, filmes, músicas, livros, pinturas censurados apenas se multiplicarão. Inimigo mortal da cultural, o governo ilegítimo de Bolsonaro deve ser derrubado pela mobilização popular, única via capaz de pôr um fim à avalanche de ataques desferidos contra as manifestações culturais e o povo em geral.





