No momento em que esta matéria foi produzida, La Vinotinto (como é conhecida a seleção venezuelana) enfrentava a Argentina pelas quartas de final da Copa América 2019,. O jogo terminou 2 a 0 para a Argentina. No entanto, desde antes do início da competição, a seleção da Venezuela vem enfrentando adversários muito mais poderosos do que as demais seleções presentes.
Podemos comprovar isso na campanha da imprensa capitalista brasileira e internacional. Matéria do Portal Terra de 15/03/2019, introduz o texto colocando em cheque a participação da Venezuela:
“A crise por que passa a Venezuela, com fronteiras fechadas, problemas graves de abastecimento e falta de energia elétrica, pode afetar a 46ª edição da Copa América, em junho e julho no Brasil. Entre dirigentes da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) há uma incerteza crescente sobre a participação dos venezuelanos no torneio.”
Fronteiras fechadas, problemas graves de abastecimento e falta de energia elétrica são citados de forma abstrata, sem contextualizá-los como resultado dos ataques do imperialismo (sobretudo o estadunidense) ao governo de Nicolás Maduro através de tentativas de golpe de Estado parlamentar, militar, bloqueio econômico, ameaças de invasão externa, etc. Sob a tag da Copa América a matéria se soma à campanha direitista contra o governo e o povo venezualano.
Intensificando a campanha coxinha contra a Venezuela, uma matéria do El País (jornal do imperialismo espanhol) de 18/06/19 dá voz a “exilados” e jogadores coxinhas anti Maduro:
“Eles saíram de Puerto la Cruz, no norte da Venezuela, atravessaram o Brasil e se estabeleceram em São Leopoldo para driblar a convulsão político-econômica que há pelo menos cinco anos abate seu país.”
“Como não se contaminar pelo turbilhão político, econômico e social que domina o noticiário? A seleção venezuela adquiriu uma espécie de ‘blindagem anticrise’, como explica o meia Seijas, que jogou duas temporadas no Brasil – por Internacional e Chapecoense – e hoje atua no Santa Fe, da Colômbia. ‘Deixamos nossas diferenças de lado e trabalhamos unidos por um objetivo. Isso é o que nós queremos transmitir para o nosso país.’ Ele é um dos jogadores mais críticos ao regime de Nicolás Maduro. Já manifestou sua contrariedade com o governo boliviariano, que qualifica como ‘ditadura criminosa’, e não hesita em reivindicar a saída imediata do poder de Maduro e seus apoiadores. ‘Sempre demonstrei o que eu penso’, disse após o empate com o Peru na Arena do Grêmio, em Porto Alegre. ‘Nós jogamos para as pessoas, não para o Governo. Não tem como esconder o que acontece lá. É necessária uma mudança, já deu’.”
“Maior artilheiro da história da seleção, Salomon Rondón também engrossa o coro de jogadores oposicionistas a Maduro, mas adota um discurso mais comedido. ‘Antes de jogador, sou um ser humano que sente muito a situação do nosso país. Tudo o que queremos é fazer com que as pessoas se esqueçam por algumas horas do que estão vivendo’, afirma o atacante do West Bromwich, da Inglaterra. ‘Jogar pelos venezuelanos’ e ‘dar alegria ao povo’ são respostas mais comuns entre os integrantes da Vinotinto ao falar sobre a crise no país, em especial o técnico Rafael Dudamel.
Ex-goleiro da seleção, ele assumiu o comando do time em 2016 e é o responsável por apagar vários incêndios internos, como administrar a relação entre jogadores insatisfeitos com o governo e a federação do país, controlada por dirigentes ligados a Maduro… Após seu time superar o Uruguai na semifinal, Dudamel fez um duro desabafo contra o presidente, exigindo um cessar-fogo à repressão de protestos que deixou mais de uma centena de mortos.”
A forma do texto dá a entender que os mortos são responsabilidade do governo Maduro. Porém, os protestos a que Dudamel se refere foram marcados pelos ataques da extrema direita a chavistas (inclusive com a direita fazendo barricadas e queimando pessoas que se dirigiam aos locais de votação) durante às eleições que deram a Maduro um novo mandato por mais de 68% dos votos.
“Desde a repercussão da fala, o treinador tem evitado críticas públicas ao governo. Em março deste ano, quando a Venezuela bateu a Argentina, de Lionel Messi, em Madri, ele recriminou a tentativa de uso político da visita de um embaixador vinculado a Juan Guaidó, presidente reconhecido por diversos países, por se aproveitar de uma vitória da seleção para se promover. Na Copa América, alheio às disputas pelo poder, o ex-goleiro se esforça para convencer seus jogadores de que a Vinotinto deve ser protagonista no torneio.”
A matéria utiliza as falas do ex jogador contra o governo e contra Juan Guaidó para colocá-lo como “alheio” às disputas pelo poder. Contudo, esta utilização em si já é um aspecto de luta pelo poder na Venezuela, uma vez que não contextualiza os ataques criminosos do imperialismo dos Estados Unidos e da Espanha contra o país, não trata Guaidó como um golpista fantoche deste mesma imperialismo e ainda atribui ao governo Maduro a crise decorrente de todos estes ataques.
A imprensa golpista não perde um segundo na campanha contra os países atrasados e seu povo. Em vídeo sobre quem seria o próximo adversário do Brasil na competição a Rede Globo ataca o governo venezuelano.
Isso reforça o que este Diário da Causa Operária Online sempre alertou durante a Copa do Mundo do ano passado: para as seleções de países atrasados venceram competições, precisam derrotar o imperialismo dentro e fora de campo.





