Sem ordem judicial, no dia 23 de janeiro, policiais militares decidiram invadir o acampamento “Recanto das Águas” da Frente Nacional de Lutas – FNL, da Fazenda Norte América, no município de Capitão Enéas, e ameaçaram de prisão a coordenadora do movimento, que pediu a apresentação do mandado judicial. Eles também agrediram um dos ocupantes. Os acontecimentos têm ocorrido supostamente sob o comando do latifundiário Leonardo Andrade.
A mulher ameaçada alertou que “os camponeses estão em uma área onde há um acordo judicial para a permanência das famílias e os policiais a serviço do latifundiário buscam intimidar as famílias para que estas saiam das terras que reivindicam sua desapropriação para a reforma agrária”.
A influência do latifundiário é conhecida na região desde abril do ano passado, quando os membros do acampamento sofreram uma tentativa de massacre. Posteriormente, foi comprovada a participação de Leonardo Andrade como mandante do crime.
Uma das lideranças da FNL afirmou que “as constantes provocações e ameaças da PM contra as famílias acampadas são parte da atuação de um grupo criminoso formado por latifundiários da região organizados na Sociedade Rural autointitulado ‘Movimento Paz no Campo’ que, com a cobertura e participação da polícia, tem cometido toda sorte de arbitrariedades e violências contra camponeses, quilombolas e indígenas no vão objetivo de frear a luta pela terra e por territórios”.
Mais uma vez, temos a clara demonstração de que a polícia sempre está a serviço dos latifundiários no campo, inclusive sob a forma de milícias armadas pagas para atacar os camponeses sem terra. Neste contexto, os sem terra têm que se organizar em comitês de autodefesa, unindo-se ao movimento popular no geral de luta contra o golpe e contra o fascismo, com vistas a se unificarem e atingirem o objetivo de derrotar o golpe, erguer um governo dos trabalhadores e fazer uma verdadeira reforma agrária.





