No último dia 4 de janeiro de 2026, a Presidência da República do Uruguai tornou pública uma nota conjunta assinada pelos governos de Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e… a Espanha. O documento, intitulado Comunicado frente aos fatos ocorridos na Venezuela, é uma peça de cinismo diplomático que sela a capitulação total do governo brasileiro perante o imperialismo.
Sob o pretexto de “profunda preocupação” com as ações militares unilaterais, o governo brasileiro assinou um texto que, na prática, é um salvo-conduto para a agressão imperialista. Ao sentar-se à mesa com a Espanha, um país imperialista que historicamente participa e incentiva as agressões contra o país caribenho, o Brasil abandona qualquer pretensão de independência política.
O primeiro grande crime da nota é a ausência de solidariedade ativa. Em nenhum momento o documento oferece o apoio material, financeiro ou logístico que o povo venezuelano necessita para resistir ao bloqueio e ao cerco militar. Ao contrário da Rússia e da China, que se posicionam como aliados estratégicos, o Brasil assina um texto que trata agressor e agredido com uma falsa equivalência moral. Falar em “vias pacíficas” e “diálogo” é, na melhor das hipóteses, covardia.
Mais grave ainda é o silêncio sobre a liberdade de Nicolás Maduro. O comunicado ignora deliberadamente o sequestro do presidente eleito e a tentativa de decapitação do comando nacional venezuelano. Ao não exigir a devolução imediata de Maduro e o reconhecimento de sua autoridade, o governo Lula sinaliza ao imperialismo que o Brasil não moverá um dedo para defender a integridade dos líderes que ousam enfrentar a sua dominação.
O cinismo atinge o ápice quando o texto insinua que a solução para a crise passa por um “processo político inclusivo liderado pelos venezuelanos“, repetindo o mantra de que o problema central da Venezuela seria o seu regime interno. Trata-se de uma mentira deslavada. O problema da Venezuela não é a falta de eleições — que ocorrem aos montes e de forma legítima —, mas sim a pilhagem imperialista, que visa o petróleo, as terras e os ativos estratégicos do país.
Ao assinar este comunicado, o governo brasileiro está dando as costas aos oprimidos em troca de um efêmero apoio do imperialismo. Nada indica, no entanto, que este apoio irá durar. Conforme o próprio Trump deixou claro, o ataque à Venezuela abre caminho para o ataque a outros povos.





