Na parte final do vitorioso ato nacional em defesa da Venezuela ocorrido neste domingo (11), um grupo de provocadores entrou em confronto físico com os manifestantes. Com cerca de 20 pessoas, o grupo era composto por apologistas da ditadura fascista iraniana de Reza Pahlavi, deposta por uma revolução proletária em 1979. Embora o ato tivesse como tema central a defesa da Venezuela, seus manifestantes também ostentavam símbolos e bandeiras em alusão ao atual regime iraniano e de seu líder, Ali Khamanei, ambos forjados na revolução de 1979.
Em declaração a este Diário, uma manifestante descreveu o momento exato em que a marcha foi interrompida:
“A gente estava caminhando, aí eu vi que o ato meio que parou. Depois, eu vi um monte de gente se batendo, e depois eu senti gás lacrimogêneo na minha boca e eu tive que ir mais para longe um pouco”, relatou, destacando também a participação da polícia na violência.
Segundo relatos colhidos por nossos correspondentes, os provocadores, descritos como “sionistas pró-monarquia”, utilizaram palavras de ordem agressivas para tentar desestabilizar os manifestantes. As ofensas miravam diretamente os líderes políticos dos países defendidos pelo ato principal.
“Chamaram o Maduro de terrorista, exaltaram com suas bandeiras o Reza Pahlavi e a revolução colorida que está sendo posta adiante no Irã. De forma geral, tentaram menosprezar os manifestantes do ato”, explicou uma manifestante, ressaltando que o enfrentamento físico foi “inevitável” dada a agressividade das provocações.
Um jornalista que acompanhava a movimentação sublinhou que alguns provocadores, além de agressivos, estavam visivelmente alterados. Segundo ele, dois elementos em particular pareciam fora de controle.
“Estavam gritando, correndo de um lado para o outro, parecia que tinham usado droga. Eles ficavam gritando várias vezes ‘terroristas, terroristas’, como palavra de ordem”, descreveu. “Senti que a qualquer momento alguns dos manifestantes pró-monarquia iraniana poderiam me reconhecer como alguém da manifestação e me agredir, mesmo eu desempenhando minha profissão legalmente constituída de jornalista”.

As fontes ouvidas por este Diário também criticaram duramente a conduta da polícia. De acordo com os relatos, houve uma disparidade no tratamento dado aos dois grupos. Uma das fontes chegou a relatar um episódio de agressão direta de um provador a um policial que, curiosamente, não resultou em detenção.
“Um dos cidadãos do ato pró-monarquia iraniana estava com um pedaço de madeira (…) e ele foi tentar acertar uns manifestantes e acertou as costas de um policial. E nada aconteceu com ele.”
Outra testemunha descreveu da seguinte forma a conduta da polícia:
“A polícia tirou eles, eles saíram, mas a polícia não fez nada com eles. A polícia bateu em companheiros nossos. Um cara dele bateu na polícia e… a polícia não bateu neles.”
Testemunhas apontaram que a dispersão com gás e o uso de força física atingiram manifestantes vulneráveis, incluindo idosos e crianças que acompanhavam a marcha. O caso mais grave de agressão física registrado até agora envolve um manifestante de aproximadamente 50 anos. Segundo informações, o impacto dos objetos usados pelos provocadores — que incluíam pedaços de madeira — causou ferimentos profundos. Após atendimento médico, ele levou quatro pontos na cabeça.
Em declaração a este Diário, os organizadores informaram que o ato havia cumprido todos os ritos legais, sendo previamente comunicado e registrado junto às autoridades. Em contraste, o grupo provocador não possuía autorização para ocupar aquele espaço naquele momento. Ainda assim, a polícia favoreceu os provocadores.
“Logo que aconteceu o confronto físico, a polícia saiu em socorro dos sionistas, dos defensores da monarquia no Irã, e empurraram os manifestantes para trás”, afirmo uma fonte que estava presente no ato.
A proteção dada pela polícia permitiu que o grupo provocador continuasse obstaculizando a continuidade da marcha por vários minutos, até que fossem, finalmente, afastados.
Para um manifestante entrevistado por este Diário, um dos objetivos da ação dos provocadores era o de dividir a manifestação, fazendo com que parte dos presentes não chegasse ao carro de som.
“O ato perdeu o contato com o carro de som em virtude disso. O ato ficou separado por uns 30 minutos. Os manifestantes não conseguiram chegar ao seu destino temporariamente até os sionistas se retirarem e a polícia sair dali.”
Segundo o mesmo manifestante, a polícia teria aguardado o início das agressões para agir, utilizando o conflito como pretexto para a repressão. Segundo ele, embora a polícia estivesse a apenas 10 metros do local onde os provocadores faziam ameaças gestuais, não houve ação preventiva.
“A minha visão é que existia um planejamento tanto da polícia quanto dos manifestantes sionistas de provocar um conflito para que permitisse que a polícia interviesse e, fundamentalmente, separasse o ato do carro de som.”
Após cerca de meia hora de tumulto e dispersão sob gás lacrimogêneo, o grupo de provocadores foi retirado sem detenções, e os manifestantes puderam, finalmente, retomar o trajeto.

Manifestantes entrevistados por este Diário também apresentaram indícios de que o Movimento Brasil Livre (MBL) estaria por trás das provocações. O principal indício seria o uso de métodos de abordagem típicas do grupo, como o uso de câmeras e microfones para questionar manifestantes de forma incisiva, buscando reações agressivas que pudessem ser gravadas.
“Um dos cidadãos que estava provocando a manifestação de esquerda estava copiando o método do MBL de sair questionando… os manifestantes com uma câmera e um microfone de maneira provocativa”, afirmou um manifestante.
Testemunhas também assinalaram a presença de um jovem, possivelmente menor de idade, na equipe de gravação — um método utilizado recorrentemente pelo MBL para alegar agressão contra menores caso ocorra algum confronto físico.
Outra fonte ouvida pelo Diário Causa Operária (DCO) informou que o grupo de provocadores já havia atentado contra a manifestação antes mesmo do confronto físico. Enquanto o carro de som estava posicionado em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), aguardando a chegada da marcha, provocadores invadiram o veículo.
“Invadiram o carro de som, bagunçaram tudo lá dentro, pegaram a bandeira da Palestina e saíram. O motorista do carro de som ficou muito irritado.”
Além disso, o grupo já vinha monitorando e perseguindo os mesmos militantes. Segundo outra testemunha, no dia anterior, os mesmos provocadores estiveram em um evento em homenagem ao martírio do general Qasem Soleimani, realizado em um hotel em São Paulo, onde também tentaram desestabilizar os presentes com ofensas.





