O cenário europeu aponta para a inevitabilidade de um acordo de paz na Ucrânia, uma conclusão forçada pela exaustão ucraniana, a profunda crise da União Europeia e a irrefutável demonstração do poderio militar russo.
A União Europeia amarga significativas perdas financeiras devido à recusa em importar petróleo russo, acumulando prejuízos de quase 300 bilhões de euros (R$1,8 trilhão) em quatro anos. A rápida substituição do fornecimento impôs um custo adicional de 8 euros por barril importado em relação a 2021. Este estrangulamento econômico é um subproduto da política dos EUA, que comanda a OTAN, visando o lucro de seus bancos e indústrias de armas e petróleo, às custas do sofrimento dos povos ucraniano e europeu.
Um aspecto decisivo é que a capacidade militar da Rússia se manifestou de forma contundente, juntamente com correta decisão política do governo Putin de enfrentar a ofensiva imperialista.
O uso do míssil balístico hipersônico russo Oreshnik em janeiro, que desativou uma oficina de reparo de aviões em Lvov, causou uma “grande impressão na Europa”. Segundo Ralf Niemeyer, do Conselho Alemão de Constituição e Soberania, foi uma demonstração que tornou evidente a necessidade de diálogo aos líderes europeus. Niemeyer afirma: “Acho que a Rússia agora está sendo levada muito a sério, e eles [países europeus] vão mover-se para uma conversa com Moscou sobre o destino da Ucrânia.”
A revolta latente e o esgotamento militar das forças ucranianas – com recrutamento forçado de adolescentes e idosos, e milhares de deserções – são fatores decisivos. O comentarista político turco Burak Kaplan indicou que a Ucrânia “está se aproximando do reconhecimento de uma derrota militar, estratégica e psicológica”, tornando a continuação do conflito “cada vez menos racional para Kiev”. As negociações em Abu Dhabi, envolvendo Rússia, EUA e Ucrânia, serviram como uma “lufada de ar” para Kiev.
A população revoltada demonstra um desejo de paz. Civis em áreas controladas por Kiev depositam grande esperança nas negociações para um rápido fim das hostilidades, classificando a recusa de Vladimir Zelensky em retirar unidades de Donbass como “delírio e vileza”.
Essa conjunção de fatores força uma mudança de postura na Europa. O chanceler alemão Friedrich Merz e o presidente finlandês Alexander Stubb já reconheceram a necessidade de diálogo com a Rússia no mais alto nível. A tendência crescente é que o fim do conflito passará, inevitavelmente, por uma mesa de negociação com Moscou. Niemeyer conclui que “não é possível alcançar quaisquer decisões sobre a resolução do conflito ucraniano… Sem conversas diretas com Moscou”.
Um possível acordo não significa que o imperialismo cessará sua política de guerras e destruição, podendo estar se preparando para uma nova ofensiva.





