O Pentágono decidiu enviar mais fuzileiros navais e navios de guerra para a região do Estreito de Ormuz, depois de não conseguir reabrir a passagem marítima sob controle do Irã. Segundo reportagem do Wall Street Journal, baseada em três autoridades norte-americanas, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, aprovou um pedido do Comando Central das Forças Armadas norte-americanas (CENTCOM) para deslocar um grupo anfíbio de prontidão com sua unidade expedicionária de fuzileiros.
O reforço militar inclui vários navios de guerra e cerca de cinco mil militares, entre fuzileiros e marinheiros. Autoridades confirmaram ainda que o USS Tripoli, baseado no Japão, e os contingentes a ele vinculados já seguem para a região. Esse tipo de agrupamento é utilizado para resposta rápida, com capacidade de atuar em rotas marítimas e em operações militares.
A decisão foi tomada num momento em que o Irã mantém o controle de Ormuz e bloqueia a circulação normal pelo estreito, afetando cadeias de abastecimento e o mercado internacional de energia. A situação foi criada no curso da guerra aberta pelos Estados Unidos e por “Israel” contra a República Islâmica.
Antes desse novo envio, o governo norte-americano havia anunciado que colocaria embarcações de escolta para proteger navios comerciais que atravessassem a passagem. A promessa, porém, foi abandonada em seguida. A presença militar iraniana e as operações em andamento no fronte marítimo levaram os próprios norte-americanos a recuar desse plano.
Empresas de navegação que atuam na região pediram proteção à Marinha norte-americana, mas esses pedidos foram negados até agora. Autoridades militares dos EUA passaram a considerar as operações de escolta arriscadas demais nas condições atuais.
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) afirmou que o Estreito de Ormuz permanece sob domínio iraniano e declarou que nenhuma embarcação poderá atravessar a rota sem autorização. O comando iraniano também informou que qualquer navio que desrespeite os avisos do país será tratado como alvo legítimo.
Em declaração à Al Mayadeen, uma autoridade militar iraniana de alto escalão afirmou que a equação de segurança regional mudará ainda mais se continuarem os ataques contra o povo iraniano e contra a infraestrutura estratégica do país. O mesmo dirigente declarou que não será permitida, “até novo aviso”, a exportação de “um único litro de petróleo” para o lado hostil e seus parceiros.
A dificuldade enfrentada pelos Estados Unidos em Ormuz também expôs falhas na própria preparação para a guerra. A CNN informou na sexta-feira que integrantes do governo norte-americano envolvidos no planejamento da ofensiva contra o Irã não avaliaram de forma adequada a possibilidade de Teerã responder com o fechamento do estreito.
Segundo a emissora, a equipe de segurança nacional concentrou suas discussões sobretudo nos objetivos militares da operação, enquanto as consequências econômicas receberam menos atenção do que seria habitual. Fontes ouvidas pela rede afirmaram que a situação agora em curso em Ormuz passou a ser vista dentro do próprio governo como um pior cenário que não havia sido devidamente considerado no início da guerra.




