Coluna

Venezuela é mais democrática do que Brasil e EUA

Quem diz que Venezuela é ditadura já perdeu a capacidade de analisar a realidade

Após o sequestro do presidente da Venezuela Nicolás Maduro no dia 03/01/2026, voltaram as discussões sobre se o regime bolivariano seria democrático ou não. Como já era de se esperar, a mídia podre encabeçada pela Rede Globo repete diuturnamente que Maduro seria um ditador. Entretanto, vale a pena perguntar: por que a Venezuela seria uma ditadura?

O critério comumente usado para caracterizar um regime como democrático ou não é a realização de eleições. Nesse sentido, vamos aos números. Desde que Hugo Chávez assumiu o governo em 1999 até hoje em 2026, houve 14 eleições nacionais e 6 referendos na Venezuela. Enquanto isso, nesse mesmo período no Brasil tivemos 1 plebiscito, 1 referendo, e 6 eleições nacionais, ou seja, menos da metade do que houve na Venezuela. De forma similar, nos EUA houve apenas 7 eleições nacionais e nenhum referendo, ficando claro que pelo critério de número de eleições realizadas, a Venezuela é mais democrática do que o Brasil e os EUA.

Diante desse dado incômodo, alguns insistem que a mera realização de eleições não seria suficiente, alegando que o governo bolivariano fraudaria sistematicamente os processos eleitorais. O episódio mais recente usado para acusar Maduro é que ele não teria entregado as atas da última eleição nacional ocorrida em 2024, mas mesmo esse factoide fajuto já foi amplamente desmentido: o PSUV (partido de Maduro) entregou ao Tribunal Supremo de Justiça todas as atas à sua disposição. Curiosamente, quem não entregou as atas foi o seu opositor, Edmundo González, configurando mais um episódio de acusação sem provas.

Por falar em fraude, vale relembrar que em 2020 houve eleições presidenciais nos EUA e foi permitido que o voto fosse enviado por correio. Muitas pessoas questionaram a confiabilidade desse procedimento, suspeitas que jamais foram plenamente comprovadas ou definitivamente descartadas. Cabe então a reflexão: alguém consegue acreditar que enviar votos pelo correio seja realmente algo confiável? Talvez só na cabeça de quem considere a Venezuela uma ditadura.

Vale dizer também que as intervenções nas eleições brasileiras são uma regra. Quem não lembra da prisão de Lula e sua consequente inelegibilidade na eleição de 2018? Quem não lembra dos carros da Polícia Rodoviária Federal impedindo vários transportes coletivos de chegarem aos locais de votação na eleição de 2022? Os detratores da Venezuela nada falam sobre isso.

Outro argumento frequentemente usado pelos críticos do regime bolivariano é a prisão de opositores políticos. Nesse sentido, é importante dizer que Maria Corina Machado participou ativamente do golpe contra Hugo Chávez em 2002 e não foi presa até hoje. Além disso, há canais de televisão abertamente contra o regime que funcionam livremente no país, como é o caso das emissoras Televen e Venevisión. Em contraste, Edward Snowden e Julian Assange, que não tentaram dar nenhum golpe de Estado, foram alvos de acusações criminais e pedidos de prisão pelo governo norte-americano, tendo ambos de se exilar para fugir da perseguição.

Analisando a situação concreta da Venezuela em comparação a outros países, vemos que as críticas são geralmente infundadas. Na realidade, o regime bolivariano é muito leniente com seus detratores, permitindo que criminosas como Maria Corina andem livremente pelo país. Vale notar que se alguém nos EUA participasse ativamente de um golpe de estado e defendesse abertamente uma intervenção estrangeira no país seria imediatamente preso, algo que Chávez e Maduro infelizmente não fizeram na intensidade que deveriam ter feito. Basta recordar a reação dos Estados Unidos após os ataques de 11 de setembro de 2001: prisões em massa, envio de suspeitos a Guantánamo e intervenções militares que resultaram na morte de milhares no Oriente Médio. Esse é o padrão de tratamento dado às ameaças à soberania nacional no coração do imperialismo.

A verdade é que os chefes de estado bolivariano deveriam ter não só prendido e julgado muito mais milhares de conspiradores contra o regime, como também expropriado todas as empresas estrangeiras e canais de mídia que comprovadamente apoiaram a conspiração contra o regime. Esse seria o procedimento padrão em qualquer país verdadeiramente soberano.

Não adianta nos iludirmos com relação à oposição simplória entre democracia e ditadura. Uma análise fria revela que aquilo que hoje se chama de “democracia” deixou de existir há muito tempo.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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