Como já analisado por este Diário, para as eleições deste ano, a burguesia tenta viabilizar uma candidatura que não seja nem Lula, nem Bolsonaro. Ambos favoritos pela maioria da população brasileira, com base popular, colocam em cheque o plano do imperialismo para o Brasil para os próximos anos, que é uma política ultra neoliberal e de terra arrasada, tipo a que Milei está levando adiante na Argentina, de destruição total do país.
Para colocar em prática essa política de ataque ainda maior contra a população no Brasil, o próximo presidente não deve ter apoio popular, precisa ser um verdadeiro franco-atirador político, sendo assim, com Lula e Bolsonaro não dá. Como aconteceu nas eleições pós-golpe de 2016, o sistema judiciário brasileiro atuou para tirar Lula do pleito eleitoral em 2018, seguindo um plano muito parecido, de certa forma, a burguesia já neutralizou uma ameaça: Bolsonaro.
Nesse ínterim, desde o ano passado começaram as crises dentro da frente ampla que supostamente teria levado Lula ao poder. O governo tem sofrido uma série de desgastes e um amplo ataque de todo um setor da burguesia. Neste ano eleitoral, com Bolsonaro já fora das eleições, a burguesia vira seus canhões contra o Partido dos Trabalhadores e contra o presidente Lula. Já está claro o aumento da ofensiva contra Lula, principalmente pela imprensa golpista.
As manchetes da grande imprensa desta quarta-feira (25), baseadas em uma pesquisa eleitoral feita pela AtlasIntel/Bloomberg, dão conta de que “Lula empata com Flávio Bolsonaro” no segundo turno. De acordo com o levantamento, o atual presidente e o filho do ex-presidente estariam tecnicamente empatados na disputa, com leve vantagem para o senador. Teriam sido entrevistados 4.986 eleitores brasileiros, em todas as regiões do País, entre os dias 19 e 24 de fevereiro.
O Partido da Imprensa Golpista (PIG) tem destacado com bastante ênfase o seguinte resultado: em uma possível disputa de 2º turno entre Lula e Flávio, o resultado seria, hoje, de 46,2% a 46,3% a favor do senador – um empate técnico. Já no confronto Lula x Tarcísio, o presidente tem 45,9% contra 47,1% do governador de São Paulo. Ou seja, em um mês após a última pesquisa onde Lula aparece vencendo todos os cenários, nesta ele perde a liderança para os dois principais nomes ligados à burguesia.
Outro ponto em destaque é a questão da aprovação do governo. A aprovação ao presidente Luiz Inácio recuou e atingiu 46,6%, enquanto a desaprovação chegou a 51,5%. No detalhamento da avaliação do governo, 48,4% classificam a gestão como “ruim” ou “péssima”, enquanto 42,7% consideram “ótima” ou “boa”. Outros 8,9% avaliam a administração como “regular”. A soma dos que veem o governo como “ótimo”, “bom” ou “regular” chega a 51,6%.
Outro ponto que está em toda imprensa burguesa desta quarta, e que se trata de mais um grave ataque contra o presidente, é a de que a oposição protocolou um “impeachmaço” contra 16 ministros do atual governo. A ação movida no Supremo Tribunal Federal partiu da deputada Carol de Toni (PL-SC). Conforme a deputada, os pedidos foram baseados em 54 requerimentos de informação protocolados de 2024 a 2025 por mais de 20 deputados, que solicitaram informações sobre o uso de dinheiro público aos ministérios, mas não tiveram respostas.
Não é que se deva acreditar fielmente em pesquisas feitas e divulgadas pela burguesia, nem entrar se preocupar demasiado que o pedido de “impechmaço” da deputada catarinense seja levado a sério ou adiante – embora haja a possibilidade. O que deve ter em mente é de que há um cerco se formando contra o governo para as próximas eleições. E ainda é preciso considerar casos como Banco Master e a questão do INSS que de certa maneira já respinga em vários setores do governo e a imprensa tem dado bastante atenção para essas questões.




