A ligação política entre o Partido Progressistas (PP), o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Republicanos na Paraíba, para as eleições de 2026, configura um “acordão” estratégico e multifacetado, marcado por trocas de favores entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e o governo Lula (PT). Esse pacto une forças ideologicamente opostas – do centrão conservador ao petismo progressista – em prol de candidaturas majoritárias, projetos legislativos e investimentos em infraestrutura que fortalecem bases eleitorais no sertão paraibano, região historicamente dominada por famílias oligárquicas caracterizadas como “coronéis locais”. O acordo não visa apenas estabilidade governamental, mas também beneficia famílias tradicionais, como a família Motta, fortalecendo a estrutura regional de poder e expõe a influência nas imposições sindicais de quem hoje domina as direções sindicais da categoria TAE.
No centro dessa aliança está o apoio recíproco à candidaturas-chave. O PT endossa Lucas Ribeiro (PP), vice-governador e sobrinho de Aguinaldo Ribeiro (PP), para o governo estadual. Em retribuição, o Republicanos, liderado pela família Motta, ganha suporte para lançar Nabor Wanderley (prefeito de Patos e pai de Hugo Motta) ao Senado. Hugo Motta, como articulador nacional e presidente da Câmara, é o pivô dessa composição, negociando diretamente com o PT para alinhar o Republicanos ao bloco lulista na Paraíba. Relatos da CNN Brasil, de setembro de 2025, destacam que esse pacto compromete agendas bolsonaristas, como a anistia a Jair Bolsonaro, devido ao eleitorado pró-Lula no estado – pesquisas indicam aprovação superior a 60% ao presidente, forçando Motta a moderar posições para evitar rejeição eleitoral.
Essa ligação vai além do eleitoral e se concretiza em negociações explícitas de projetos federais. Um exemplo é o pedido de Hugo Motta ao presidente Lula para vincular o Instituto Federal do Sertão Paraibano (IFSertãoPB) à cidade de Patos, base eleitoral de sua família. Fontes como O Globo e Metrópoles, de janeiro e fevereiro de 2026, descrevem o PL nº 01/2026 – primeiro projeto enviado pelo Executivo ao Congresso naquele ano – como um “afago” de Lula a Motta. O deputado paraibano afirmou publicamente: “Sempre lutei para que minha região pudesse ter a sua instituição de ensino técnico e superior”, confirmando sua articulação direta com o Planalto.
Aprovado em votação simbólica na Câmara em 3 de fevereiro de 2026, o PL desmembra sete campi do IFPB (Patos, Santa Luzia, Princesa Isabel, Catolé do Rocha, Itaporanga, Sousa e Cajazeiras), instalando a reitoria em Patos, onde Nabor Wanderley é prefeito reeleito. Essa descentralização, criticada por sindicatos como o SINTEFPB por “aparelhamento eleitoral”, beneficia famílias históricas do sertão, como os Motta, rotulados como coronéis modernos por perpetuarem controle sobre recursos públicos e empregos. O novo instituto cria milhares de cargos e investimentos
federais, servindo como palanque para as eleições de 2026, consolidando o poder local de dominação na região há décadas, reminiscentes do coronelismo nordestino.
Em troca desse favor, Lula obteve concessões-chave de Motta e seu grupo. Primeiramente, na questão da anistia a Bolsonaro: a aliança com o PT na Paraíba ameaça o avanço desse projeto no Congresso, como reportado pela CNN e Folha de S. Paulo. Motta, pressionado pelo eleitorado lulista e pela necessidade de governabilidade, resiste a pautas bolsonaristas, evitando desgastes com o Planalto. Em setembro de 2025, o acordo regional virou entrave à anistia, com Motta priorizando o suporte petista para seu pai ao Senado em detrimento de demandas da oposição de direita.
Outra contrapartida é a aprovação rápida de reformas trabalhistas, como o fim da escala 6×1. Prioridade do governo Lula para 2026, a proposta ganhou impulso com Motta: em 9 de fevereiro de 2026, ele encaminhou a PEC (junção das PECs 8/25 de Erika Hilton-PSOL e 221/19 de Reginaldo Lopes-PT) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, declarando que “o Brasil está maduro para enfrentar a escala 6×1”. Fontes como G1, CNN Brasil e Agência Brasil relatam que o Planalto viu isso como “gesto positivo”, com Motta prevendo votação até maio de 2026 – mês simbólico pelo Dia do Trabalhador. A tramitação acelerada, incluindo análise em comissão especial antes do plenário, reflete o acordo: Lula ganha avanço em pautas sociais, enquanto Motta demonstra lealdade, facilitando aprovações como o PL 01/2026 que beneficia politicamente a criação de IFs em regiões de “coronelismo político”. Setores como indústria e comércio resistem, mas o texto gradual (redução progressiva da jornada) acomoda negociações, beneficiando o governo em ano eleitoral.
Hugo Motta e sua companhia – incluindo aliados no PP e Republicanos – usaram categorias sindicais, especialmente os Técnicos Administrativos em Educação (TAEs), para passar reformas que beneficiam esses interesses. O PL 6170/2025, aprovado em fevereiro de 2026, é visto por cartilhas sindicais (como a da ASAV/UFV) como “reforma administrativa fatiada”, reorganizando 200 mil cargos no Executivo, criando 26.600 vagas (incluindo 16 mil em educação) e centralizando funções no Ministério da Gestão e Inovação (MGI) e finalmente contratando sem concurso público, o que seria na prática um apadrinhamento da terceirização do serviço público. Embora inclua o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para TAEs, limita benefícios (excluindo estagiários e aposentados e estabelecendo o teto do benefício para 75% de servidores) e extingue funções, favorecendo indicações políticas. O movimento Taes na Luta, liderado por Leewerton Marreiro (diretor de Logística da Reitoria do IFPB e membro da Comissão Nacional de Supervisão da Carreira – CNSC-MEC), moderou oposições, unindo-se a grupos como PT/Unir, PcdoB/CTB, PSOL/Travessia contra greves amplas, preservando conquistas setoriais enquanto os PLs avançam.
Uma coincidência notável surge com a inclusão de emendas no PL 01/2026, comemorada pela reitora do IFPB, Mary Roberta: uma delas amplia a possibilidade de participação dos TAEs com nível superior na disputa pelo cargo de diretor-geral dos campi, permitindo que todos os servidores com graduação concorram, independentemente do nível hierárquico. Pela regra anterior, a candidatura era restrita apenas aos servidores ocupantes de cargos de nível E no PCCTAE. Essa mudança beneficia diretamente TAEs como Leewerton Marreiro, que é classificado como nível D, abrindo portas para sua ambição declarada de ascender a cargos de direção em campi ou até reitoria, uma mão na luva, pois o mesmo apresenta relações próximas à família Motta e ao Hugo Motta especificamente. Marreiro, presente na reunião de 4 de fevereiro de 2026 com Motta e a reitora Mary Roberta, negociou essas emendas, que garantem mobilidade voluntária de servidores (até dez anos, priorizando retornos) e ampliam oportunidades para TAEs. Essa vinculação direta posiciona
Leewerton no cerne do acordão: sua ligação institucional e política com Hugo Motta – evidenciada pelo encontro em Brasília e pela articulação para emendas que o habilitam pessoalmente – permite que almeje e potencialmente conquiste o cargo de diretor de campus no novo IFSertãoPB ou no IFPB remanescente, servindo aos interesses eleitorais do trio partidário ao fortalecer o grupo com sua influência sindical alinhada no sertão.
Essa dinâmica ilustra como o acordão explora lutas sindicais: Taes na Luta, surgido em 2022 como oposição petista, agora faz acenos conciliadores, evitando confrontos que exporiam os PLs. Reels no Instagram do movimento criticam distorções no RSC e apresentam o PL 6170/26 como PL do RSC escondendo que o PL se trata de uma reforma administrativa. A ausência do retorno greve desde a quebra do acordo de greve em janeiro de 2025 até fevereiro de 2026 sugere alinhamento pragmático ao “acordão”, beneficiando eleições para reitorias democratizadas pela eliminação da lista tríplice. No sertão, famílias como os Motta – herdeiros de tradições coronelistas, controlando prefeituras, empregos e recursos – ganham com descentralizações que perpetuam clientelismo, enquanto Lula consolida apoio congressional para reformas. Esse exemplo corrobora a ligação do sindicalismo ao acordão, escondendo entre as conquistas sindicais no PL em ferramentas políticas para alavancar grupos específicos e prejudicar os trabalhadores e servidores favorecendo a terceirização e a precarização do ensino superior.
Outras figuras, como Leninha (PSB, aliada) e a família Ribeiro (PP), reforçam o pacto. No comum, PP, PT e Republicanos priorizam cargos, benesses e expansão no sertão: novos campi em Sousa e Princesa Isabel, por exemplo, espalham essa influência. Apesar de tensões – como resistências à anistia e debates na CCJ sobre a escala 6×1 –, o acordão redesenha o mapa político paraibano, priorizando a estabilidade política. Em ano eleitoral, essa coalizão testa limites, com Motta equilibrando padrinhos como Arthur Lira (PP) e demandas lulistas, enquanto beneficia oligarquias sertanejas e sindicalistas alinhados para campanha eleitoral.
Em síntese, a ligação é um pacto de conveniência: Hugo Motta pediu a Lula o IFSertãoPB em Patos para seu clã, em troca de frear a anistia e acelerar o fim da escala 6×1, usando categorias sindicais para aprovar reformas que eternizam poder de coronéis locais. Esse arranjo, substanciado por aprovações legislativas e negociações públicas, fortalece o trio partidário para 2026, entrelaçando sindicalismo, educação e política em uma teia de interesses regionais.
No final das contas o que importa é a ‘macropolítica’ para que se possa entender a política sindical, quem hoje está no controle dos sindicatos se escamoteiam em renomes e bandeiras diferenciadas, mas, na prática, são legítimos representantes de suas bandeiras oficiais, por isso os trabalhadores devem estar atentos a quem vende a categoria em troca de favores políticos e cargos. No final das contas, a categoria TAE está comprando gato por lebre, e tanto a PL 6170 como a PL 01 são armadilhas que irão prejudicar a categoria.





