O artigo Maduro caiu. Isso é suficiente?, de Sara Clem, publicado em O Globo neste sábado (17) é a prova de que esse jornal é um órgão do imperialismo.
No primeiro parágrafo, Sara Clem diz que “o ano mal começou, e o mundo inteiro foi apanhado de surpresa diante da queda do ditador Nicolás Maduro. Essa não é uma situação trivial e envolve inúmeras nuances do ponto de vista geopolítico, econômico e democrático”. O mundo ficou perplexo, mas diante de uma grave violação da soberania da Venezuela.
Nicolás Maduro não caiu, foi sequestrado pelo imperialismo. Talvez a senhora Clem não se tenha dado conta, mas ninguém duvida que os Estados Unidos estão interessados apenas no petróleo venezuelano.
Clem escreve que “no que concerne à democracia — ou, nesse caso, à ausência dela —, vemos a queda de um ditador, numa ditadura que se instalou pelas urnas há 27 anos, mas foi corroendo a democracia de dentro para fora com Hugo Chávez”. Essa senhora deveria saber que os Estados Unidos não se incomodam com ditaduras e nem mesmo com urnas. Para ficarmos em um exemplo, basta ver o tratamento que dão à Arábia Saudita.
A articulista diz que “podemos afirmar com segurança que o que imperava na Venezuela não era um regime democrático”, mas que segurança ela tem? Nenhuma, apenas repete desinformação que circula na grande imprensa.
É sempre a mesma ladainha de que “não há eleições livres e justas, a oposição é frequentemente perseguida, cidadãos que protestam contra o regime sofrem represálias, e a liberdade de expressão e de imprensa é praticamente inexistente”. A oposição anda livre até demais. Meliantes como Juan Guaidó e María Corina Machado mereciam estar atrás da grade.
No Brasil, a liberdade de expressão foi abolida, e a Globo apoia a censura das redes.
Para corroborar sua “segurança”, Clem diz que “diversas pesquisas que medem o nível de democracia e liberdade dos países atestam esse cenário, como as produzidas por The Economist, Freedom House e Artigo 19. Esses diagnósticos reforçam que a Venezuela se encontra, há anos, afastada dos padrões mínimos de uma ordem democrática”.
Seria ingenuidade acreditar em pesquisas produzidas e repercutidas por The Economist, e as outras, inimigos declarados do governo venezuelano.
“Preocupações”
Sara Clem diz que “a maneira como a queda de Maduro se deu levanta preocupações quanto ao futuro do povo venezuelano. Há uma sociedade civil ativa no país que busca o rompimento do regime bolivariano, mas, caso os Estados Unidos levem adiante um plano que não incorpore essa sociedade como ator central, podem acentuar uma grande insegurança interna.”.
Muito mais que uma sociedade que busca rompimento, existem 8 milhões de milicianos voluntários escritos, e 4,5 milhões armados. Vale lembrar que a oposição ficou completamente acuada após o sequestro de Maduro, e o aumento de sua popularidade.
Clem admite que os interesses dos EUA no petróleo, ou que a ação possa ter sido um recado para Colômbia, Cuba e até mesmo Brasil. Apesar desse crimes, para ela, “nenhum dos motivos acima seria capaz de invalidar a esperança que a saída de Maduro devolveu aos milhões de venezuelanos”. O banditismo dos EUA, para essa senhora, estaria justificado porque, supostamente, teria trazido esperança. Uma falsificação grosseira da realidade.
Banditismo
Chega a ser inacreditável o banditismo do texto da senhora Clem. Ela afirma que “é profundamente preocupante que jornalistas, juristas e políticos tenham a ousadia de rejeitar a intervenção americana sob o argumento de que o povo venezuelano, sozinho, deveria retirar o ditador do poder”. – grifo nosso. Ou seja, advogar pela autodeterminação dos povos seria uma ousadia. Pior: “esses posicionamentos [a defesa da autodeterminação, rejeição da intervenção militar] revelariam como o conceito de democracia e liberdade ainda é pouco consolidado e facilmente distorcido a depender da ideologia”. É surreal. Os Estados Unidos, na verdade, são conhecidos por apoiar todo tipo ditaduras.
Clem acrescenta: afirma que “a Venezuela não tem sequer uma democracia falha. Trata-se, de fato, de uma ditadura, com eleições fraudadas, freios e contrapesos inoperantes e oposição sistematicamente perseguida”. Além de ser mentira, os Estados Unidos não têm jurisdição sobre a Venezuela. São criminosos comuns que executaram sumariamente pessoas no Mar do Caribe mentindo que combatiam o narcotráfico.
Aves de rapina
Sara Clem, após defender a intervenção militar de um ladrão de petróleo, apoiador de ditaduras, sobre a Venezuela, diz que “há também a esperança de que o povo venezuelano consiga, a partir de agora, tomar suas próprias decisões, de que a sociedade civil se torne cada vez mais preeminente e de que uma cultura democrática — antes sufocada — possa finalmente florescer, sustentada por instituições verdadeiramente livres”. Ninguém acredita nessa conversa mole. Todos viram como os Estados Unidos levaram liberdade para o Afeganistão, para Líbia, Iraque…
Não existe cultura democrática sufocada. O chavismo surgiu exatamente por que o “democrata” Carlos Andrés Pérez mergulhou a Venezuela na mais terrível miséria, colocando a maioria da população abaixo da linha de pobreza.
Esse artigo publicado em O Globo é vergonhoso, cínico e mentiroso. Mas, não se pode esperar nada muito diferente, pois esse jornal sempre esteve ao lado dos inimigos da humanidade.




