A dependência da esquerda burguesa em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu um nível inacreditável. Acreditar que um tribunal de Estado — ainda mais um órgão do Judiciário historicamente reacionário como o STF — poderia servir de barreira contra um golpe de Estado é uma ilusão monumental. Nunca, em nenhum momento da história brasileira ou mundial, um juiz foi capaz de conter um golpe de Estado com canetadas. O próprio golpe de 2016, que derrubou Dilma Rousseff, teve apoio dos juízes, não resistência.
No entanto, PSOL, PT, PCdoB e a esquerda pequeno-burguesa autoproclamada “revolucionária” vivem agora da ilusão de que Alexandre de Moraes e seus colegas togados são a única defesa do povo brasileiro contra a ascensão da extrema direita. Em vez de organizar a população nas ruas, a esquerda reformista prefere confiar no papelório dos tribunais.
O escândalo recente envolvendo o Banco Master expôs ainda mais essa contradição. Com denúncias de envolvimento direto da família de ministros do STF — incluindo Alexandre de Moraes e Dias Toffoli —, a esquerda correu em socorro dos mesmos juízes que diz combater a extrema direita. Defendem o indefensável, inclusive negando a existência de documentos públicos e contratos envolvendo o banco e os ministros, enquanto falam em “fake news”.
Essa submissão não é só política, mas ideológica: os setores da esquerda institucional estão tão integrados à máquina do Estado burguês que perderam qualquer traço de independência. Não apenas se recusam a atacar os juízes, como se colocam como linha auxiliar da burguesia na defesa das instituições do regime.
O STF é, hoje, a principal ferramenta institucional do imperialismo e da burguesia nacional para manter o controle do Estado. Mas essa força não vem dos juízes — vem do capital financeiro, da imprensa golpista, das Forças Armadas que atuam como garantidoras do regime. Os ministros do STF só têm poder porque são o braço judicial do sistema de dominação do grande capital.
Em vez de aproveitar o desgaste do regime e a crise da “terceira via” — que não consegue apresentar nenhum candidato com apoio popular —, a esquerda opta por se tornar sócia menor da operação burguesa de contenção social. Os atos com Caetano Veloso, os apelos ao STF, a defesa das instituições: tudo isso serve para desarmar a classe trabalhadora e mantê-la como espectadora passiva da luta política.
A verdade é que essa esquerda não quer mobilizar o povo porque sabe que não tem um programa popular. Não tem reforma agrária, não tem enfrentamento com os banqueiros, não tem política de empregos ou aumento real de salário. Tem apenas uma chantagem eleitoral permanente: “vote no Lula para impedir o Bolsonaro”.
Enquanto isso, o povo, cada vez mais descrente, vai sendo jogado de um lado a outro, sem direção própria, sem organização independente e sem perspectiva de transformação real. A esquerda, que deveria liderar a luta contra o regime golpista, virou linha auxiliar do próprio golpe.
O caminho para derrotar a direita e o regime não passa por confiar em juízes, promotores ou parlamentares vendidos. Passa por estabelecer a independência política da classe trabalhadora, ir às ruas, denunciar o STF e mobilizar o povo em torno de um programa revolucionário.





