O artigo de Ricardo Bruno, Prisão de Maduro. A derrubada de tiranos não pode ser pretexto para legitimar pilhagens, publicado pelo Brasil 247, é um ataque direto aos oprimidos. Sob o verniz de uma suposta crítica à invasão, o autor entrega ao governo dos Estados Unidos tudo o que o imperialismo precisa: a desqualificação moral da vítima. Ao gastar parágrafos reforçando o rótulo de “ditador” e “autocrata” para Nicolás Maduro segue a propaganda do Departamento de Estado norte-americano.
O erro fundamental de Ricardo Bruno é a tentativa de estabelecer uma equivalência moral impossível. Ao afirmar que “não existem mocinhos”, o autor equipara uma nação agredida e espoliada à maior potência bélica do planeta, que ignora todas as leis internacionais para garantir o lucro dos grandes monopólios de petróleo. Na luta de classes internacional, a soberania de um povo não pode ser condicionada ao julgamento moral que a imprensa burguesa faz de seus líderes. Ou se defende a Venezuela contra a pilhagem, ou se é cúmplice do agressor.
A análise sobre a Colômbia e Gustavo Petro revela o mesmo erro. Bruno se choca com as ameaças de Donald Trump a Petro apenas porque ele foi “eleito democraticamente”, como se o imperialismo norte-americano respeitasse o sufrágio popular. O governo dos Estados Unidos não invade países para “restaurar a democracia”, mas para garantir o fluxo de capitais e recursos. Se Petro, ou qualquer outro líder eleito, tornar-se um obstáculo aos interesses do imperialismo, será descartado com a mesma violência que Maduro. A “democracia” para o grande capital é apenas um adereço descartável.
Além disso, o autor tenta estabelecer uma simetria imunda entre a agressão norte-americana à Venezuela e a ação russa na Ucrânia. Enquanto a Rússia reage a um cerco militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e à ascensão de grupos nazistas financiados pelo departamento de Estado norte-americano, o governo dos EUA executa uma invasão ofensiva e colonialista para retomar o controle das reservas petrolíferas venezuelanas. Não há comparação possível entre uma guerra de autodefesa contra o cerco imperialista e uma operação de pirataria internacional.




