Nesta semana, o presidente Donald Trump apresentou uma proposta de 15 pontos para encerrar a guerra contra o Irã, alegando que suspendeu bombardeios recentes para abrir caminho a negociações diretas com a República Islâmica. A resposta do comando militar iraniano foi um escárnio público: questionaram se o nível de desorientação dos Estados Unidos chegou ao estágio de Trump “negociar consigo mesmo”, já que não houve qualquer contato oficial entre as partes.
O episódio das “negociações fantasmas” é apenas o sintoma mais recente de um governo que se meteu em uma geopolítica e agora tenta sair dela através do delírio e da desinformação.
Enquanto o governo norte-americano tenta vender a imagem de uma diplomacia ativa, a realidade no terreno aponta para o oposto. Mohamed Baguer Galif, presidente do parlamento iraniano, e o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) desmentiram categoricamente qualquer diálogo. A política de Trump é, no mínimo, esquizofrênica: os Estados Unidos anunciaram o desejo de negociar quase simultaneamente ao assassinato de Ali Larijani, uma das principais figuras de diplomacia do regime iraniano.
Outro ponto de contradição é a declaração de que os Estados Unidos teriam vencido a guerra. Contudo, relatórios de serviços de inteligência e a persistência da capacidade de resposta iraniana mostram que a agressão falhou em seus objetivos centrais. O erro de cálculo foi ignorar o caráter revolucionário da estrutura militar iraniana, para a qual assassinatos de lideranças não desarticulam o comando, mas servem de combustível para a unidade nacional e a intensificação do sentimento de resistência.
O governo norte-americano abandonou uma política que, embora agressiva, era mais previsível e calculada — para se tornar o palco de um monólogo delirante. Ao tentar enganar a opinião pública com negociações inexistentes e vitórias militares fictícias, os Estados Unidos expõem a decadência da dominação imperialista.





