As famílias dos mortos na Operação Contenção voltaram à Praça São Lucas, no Complexo da Penha, em 28 de outubro. Um ano antes, moradores haviam reunido ali corpos encontrados depois da incursão das polícias na Penha e no Alemão. No ato de aniversário da chacina, mães, vizinhos e movimentos populares cobraram a investigação das mortes e o fim das operações policiais nas favelas.
Maria de Fátima, mãe de Anderson Luís, disse à A Nova Democracia que não espera uma mudança na política de segurança com a eleição de Douglas Ruas para o governo do Rio. Sua preocupação é concreta: o próximo governador poderá manter as incursões que transformaram a gestão de Cláudio Castro numa sucessão de matanças. Entre as faixas levadas à praça estava a exigência de acabar com a PM.
Os familiares também protestaram contra a maneira como seus filhos foram apresentados depois de mortos. Para os defensores dessa política de genocídio chamar todos de criminosos dispensa a polícia de explicar por que atirou e permite que uma suspeita seja tratada como sentença de morte. A investigação divulgada pela Human Rights Watch encontrou problemas na preservação das provas e mais de 250 episódios de obstrução das câmeras dos agentes. Entre as vítimas não policiais examinadas, quase três quartos tinham ao menos uma perfuração de entrada de bala nas costas.

As câmeras eram apontadas por governantes e setores da esquerda como garantia contra abusos. Na maior chacina do Rio de Janeiro, nem sequer forneceram registros suficientes para esclarecer as mortes. Enquanto a corporação conserva o poder de entrar armada nos bairros pobres, a população continua submetida à versão dos homens que conduziram a operação.
O PCO exige a apuração e a punição dos responsáveis pela chacina, a saída de Cláudio Castro e o fim da Polícia Militar. Defende que os próprios moradores tenham controle sobre sua segurança. As mães que retornaram à Praça São Lucas sabem o que acontece quando esse poder fica nas mãos da PM: foram elas que tiveram de procurar seus filhos e trazer os corpos para que ninguém pudesse esconder a matança.





