O pré-candidato ao governo cearense, Ciro Gomes – que agora atua pela legenda partidária PSDB – neste domingo (31), durante a Missa de Santo Antônio, que abriu a Festa do Pau da Bandeira em Barbalha (CE), saiu em defesa da medida anunciada pelo governo norte-americano de “combate ao terrorismo” no Brasil, mirando duas organizações criminosas.
A medida classifica o Primeiro Comando da Capital, PCC, e Comando Vermelho, CV, como organizações terroristas, com as designações de “terroristas globais especialmente designados” e “organizações terroristas estrangeiras”. Ciro Gomes disse que os Estados Unidos não invadirão o Brasil em decorrência da sua classificação do PCC e do CV como organizações “terroristas”, mas pode bloquear contas bancárias usadas pelas facções.
“Eles vão invadir o Brasil? Não, não vão. Eles vão bloquear as contas”, afirmou o tucano. O ex-governador afirmou que as organizações criminosas movimentam recursos bilionários por meio do sistema bancário. “Ninguém carrega bilhões de dólares em caixote, em surrão ou em mala”, disse. “É pelo sistema financeiro, e eles estão apavorados é com isso.”
Segundo Ciro Gomes, a expansão do crime organizado se dá por falhas dos governos no combate a tais organizações e responsabiliza a omissão das autoridades brasileiras para a atividade da Casa Branca em relação à nova medida. “Vinte anos de omissão no Brasil acabaram vulnerando o nosso país a uma potência estrangeira declarar isso, que transforma no interesse deles a mudança institucional de enfrentamento desse problema”, afirmou.
O político disse que, nesse período, as facções expandiram sua atuação para além da atividade criminosa tradicional. “Vinte anos faz que as facções foram crescendo, se tornando muito gravemente complexas, se entranhando na economia, entrando no sistema financeiro e, pior, especialmente no Ceará, entrando na política”, afirmou Ciro Gomes.
A legislação autoriza o governo norte-americano a bloquear bens e contas, proibir transações financeiras, restringir acesso ao sistema bancário americano e aplicar sanções contra pessoas e empresas ligadas ao tráfico. Ambas as leis exigem investigações formais, produção de provas e análise judicial antes da aplicação de sanções, no entanto está aberta a brecha para intervenção norte-americana.
Pessoas ligadas ao governo federal brasileiro afirmam que a medida poderia abrir precedente para pressões externas e interpretações jurídicas que extrapolem o enquadramento previsto na legislação brasileira. A classificação poderia ter também potenciais efeitos sobre a soberania regulatória no enfrentamento ao crime organizado dentro do território nacional.





