Donald Trump pressionou neste domingo (15) os países da OTAN e outros aliados dos Estados Unidos a enviarem meios navais para o Estreito de Ormuz, em meio à guerra desencadeada pelos EUA e por “Israel” contra o Irã. Em entrevista ao Financial Times e em publicações na rede Truth Social, o presidente norte-americano afirmou que os países beneficiados pelo petróleo que passa pela rota deveriam assumir parte da operação para garantir a navegação e advertiu que uma recusa poderia ser “muito ruim” para o futuro da aliança militar.
Trump afirmou que a Europa depende do petróleo transportado por Ormuz e comparou a situação ao apoio dado pelos Estados Unidos à Ucrânia. Disse ainda que gostaria de saber previamente se os aliados aceitariam participar da operação. Em suas declarações, citou China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros países atingidos pela crise energética aberta pela guerra.
Ao ser questionado sobre o tipo de apoio esperado, Trump pediu o envio de varredores de minas e ações militares contra os “maus atores” na costa iraniana para assegurar a passagem de navios comerciais. Em outra mensagem, afirmou que, enquanto buscava organizar essa força internacional, os Estados Unidos continuariam bombardeando pesadamente o litoral iraniano e atacando embarcações do país.
Hoje, o Estreito de Ormuz é o principal ponto do conflito. Depois do início dos ataques coordenados dos EUA e de “Israel” contra a República Islâmica, no fim de fevereiro, o Irã reagiu corretamente e passou a impedir a travessia de embarcações ligadas aos dois países. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou no sábado (14) que o estreito segue aberto à navegação internacional, mas não para navios vinculados aos países agressores.
O bloqueio parcial da rota teve impacto imediato sobre os preços do petróleo. O barril do West Texas Intermediate abriu com alta de 2,5%, a US$100,22, enquanto o Brent subiu 2,9%, a US$106,11. Nas últimas duas semanas, a crise em torno de Ormuz e a incerteza quanto à duração da guerra empurraram a cotação do petróleo para perto de US$120,00 o barril.
Trump também indicou que seu encontro com Xi Jinping, previsto para Pequim, poderá ser adiado enquanto tenta obter da China apoio para a reabertura da rota. Disse que chineses e europeus dependem fortemente do petróleo do Golfo e, por isso, deveriam participar diretamente da operação naval.
Apesar da pressão da Casa Branca, a reação dos aliados foi limitada. O Reino Unido enviou apenas oito marinheiros ao Barém, integrantes do grupo especializado em exploração de minas e ameaças da Marinha Real. A equipe partiu de Portsmouth no mês passado, poucos dias antes do início dos bombardeios contra o Irã. Embora disponha de tecnologia autônoma de caça-minas, o destacamento nunca foi testado em condições de guerra.
A resposta britânica ficou muito aquém do que Trump vinha cobrando publicamente. O governo de Londres avalia a possibilidade de enviar um navio ao Golfo, mas ainda sem qualquer compromisso concreto. Segundo as informações divulgadas pela imprensa britânica, a Royal Navy tem hoje poucas opções imediatas de reforço, já que vários navios permanecem em manutenção, treinamento ou empregados em outras missões.
Uma fonte da área de defesa declarou ao Telegraph que mesmo a equipe já deslocada ao Barém está muito distante do que o Reino Unido costumava manter na região. O comandante da frota britânica, vice-almirante Steve Moorhouse, afirmou que a tecnologia usada pelo país é de ponta, mas reconheceu que a prontidão operacional em um ambiente de alta ameaça ainda é incerta.
A França, por sua vez, prepara o envio de cerca de uma dúzia de embarcações, incluindo um grupo de ataque com porta-aviões, para o Mediterrâneo, o Mar Vermelho e possivelmente o Estreito de Ormuz. A movimentação foi apresentada como apoio defensivo a aliados ameaçados pela guerra.
As próprias fontes norte-americanas reconheceram que a pressão de Trump sobre a OTAN tem também o objetivo de dar a aparência de uma ampla coalizão internacional contra o Irã. De acordo com o Telegraph, a posição britânica revelou restrições materiais e cautela política diante de uma escalada militar aberta pelos EUA. Uma fonte próxima à Casa Branca afirmou ao jornal que os Estados Unidos já não podem depender do Reino Unido para apoio militar consistente.



