O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (2) que o México deixará de enviar petróleo à Cuba, medida que aprofunda a criminosa política de cerco econômico contra a ilha e intensifica a crise energética enfrentada pelo povo cubano.
A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na Casa Branca. Trump afirmou que “o México vai parar de enviar petróleo”, mas não apresentou qualquer prova de que o governo mexicano tenha assumido tal compromisso. Até o fechamento desta matéria, não houve confirmação oficial por parte da presidente mexicana Claudia Sheinbaum.
A fala do presidente norte-americano ocorre em meio ao agravamento da ofensiva imperialista contra Cuba, que sofre com décadas de embargo econômico e, mais recentemente, com o corte no fornecimento de petróleo venezuelano após a prisão do presidente Nicolás Maduro — importante aliado do governo cubano. O possível bloqueio mexicano, se concretizado, deve agravar ainda mais os apagões e a escassez de combustíveis no país caribenho.
A investida de Trump faz parte de uma escalada de chantagens e medidas coercitivas impostas pelos EUA para estrangular economicamente o governo cubano. O próprio Trump classificou Cuba como “uma nação falida” e “ameaça excepcional” à segurança nacional dos EUA — justificativa absurda e típica da política imperialista que há décadas visa derrubar o regime revolucionário.
Em seu discurso, o presidente norte-americano ainda ameaçou impor tarifas extras a países que exportem petróleo para Cuba, buscando isolar completamente a ilha de qualquer apoio externo. “Eles não estão recebendo dinheiro da Venezuela e não estão recebendo dinheiro de lugar nenhum”, disse Trump, que também afirmou estar “muito perto” de fechar um acordo com as autoridades cubanas — embora não tenha apresentado detalhes sobre tais tratativas.
O governo de Cuba rechaçou as chantagens. O vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, confirmou que há conversas com os Estados Unidos, mas negou que existam negociações formais. “Trocamos mensagens, temos embaixadas, tivemos comunicações, mas não se pode dizer que houve uma mesa de diálogo”, disse. Ele reafirmou que Cuba está disposta a dialogar de maneira “séria, significativa e responsável”, desde que não seja sob ameaças.
Enquanto isso, o governo mexicano se encontra em uma posição delicada. A presidente Claudia Sheinbaum havia anunciado, no domingo (1º), a intenção de enviar petróleo a Cuba por razões humanitárias, “sem buscar confrontos” com outros países. No entanto, diante das ameaças norte-americanas, o governo mexicano indicou que o auxílio da próxima semana será composto por “outros produtos”, evitando citar diretamente o petróleo — o que pode indicar um recuo forçado.
Com a interrupção do fornecimento venezuelano e a pressão sobre o México, Cuba enfrenta uma das piores crises energéticas de sua história recente. Estima-se que as reservas de petróleo da ilha sejam suficientes para apenas 15 a 20 dias, o que vem provocando apagões prolongados em diversas regiões do país.
A situação impacta diretamente setores vitais da vida cotidiana, como transporte público, saúde, abastecimento de água e produção industrial. A ofensiva contra Cuba, além de causar sofrimento ao povo, tem um objetivo político claro: desestabilizar o governo e forçar a adoção de medidas alinhadas aos interesses do imperialismo.
Contudo, mesmo diante de décadas de bloqueio, crises econômicas e ameaças militares, o povo cubano segue resistindo. A experiência histórica do país demonstra que a solidariedade internacional, a organização popular e a defesa da soberania nacional são as maiores armas contra a sanha imperialista.





