Passados três anos dos eventos de 8 de janeiro de 2023, a propaganda oficial consolidada pelo atual governo e pelo Judiciário está cada vez mais distante da realidade factual dos acontecimentos. Em cerimônias pomposas no Palácio do Planalto, celebrou-se a suposta “salvação da democracia”, mas o que se vê, na prática, é a manutenção de um pretexto político que serviu para pavimentar o caminho rumo a um regime de exceção. É preciso questionar, com a sobriedade que a história exige: que golpe de Estado é este, realizado sem uma única pessoa armada, sem liderança militar em campo e onde os supostos “golpistas” foram detidos sem oferecer qualquer resistência?
No 8 de janeiro, o que o Brasil testemunhou foi uma manifestação que descambou para, no máximo, alguns atos de vandalismo. No entanto, a ditadura do Supremo Tribunal Federal (STF) operou uma mutação semântica, elevando vidraças quebradas ao status de crime contra o Estado Democrático de Direito, servindo como a justificativa perfeita para o endurecimento do regime.
Este cenário serviu de palanque para uma perseguição judicial sem precedentes. Centenas de pessoas foram condenadas com base em denúncias genéricas, muitas vezes sem a individualização de condutas ou provas concretas de intenção golpista. O ápice desse processo foi a proscrição política de Jair Bolsonaro, tornado inelegível, preso e mantido sob cerco judicial constante através de inquéritos que se eternizam. Enquanto isso, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva abdicou de uma política de esquerda independente para se tornar um apêndice do STF. Lula não governa; ele coabita um regime onde o Executivo se anulou em troca da proteção jurídica e da blindagem política oferecida pela Corte composta por 11 ministros que não foram eleitos por ninguém.
O que se celebrou no dia 8 de janeiro foi o aniversário de um marco que permitiu a evolução de uma ditadura de toga. A “democracia”, ironicamente, tornou-se o mote para a perseguição política.





