Na terça-feira (24), sindicatos e organizações realizaram uma concentração diante da fábrica da Fate, em San Fernando, em apoio aos 920 trabalhadores atingidos pelo fechamento da planta e para cobrar da Confederação Geral do Trabalho (CGT) a convocação de uma paralisação de 36 horas contra a reforma trabalhista do governo Milei, em debate no Senado.
A mobilização ocorreu a partir das 18h e teve como eixo o apoio aos trabalhadores que permanecem dentro das instalações da empresa, mantendo a ocupação para defender seus empregos. Em nota, os organizadores declararam: “rejeitamos a lei de reforma trabalhista e exigimos um plano de luta para derrotar esta reforma escravista e conquistar a vitória dos trabalhadores da Fate. Os sindicatos combativos, as organizações de desempregados independentes e os aposentados estarão presentes, acompanhando-os”.
Segundo a convocação, o ato também buscou exigir da CGT uma greve de 36 horas na próxima sessão do Senado, quando a reforma trabalhista deve ser analisada. Entre as entidades anunciadas estiveram organizações reunidas no Plenário do Sindicalismo Combativo (PSC), como a Unión Ferroviaria Oeste, o Sindicato Único do Pneumático (SUTNA), a Ademys, a ADG-UBA, comissões internas da ATE e trabalhadores do hospital Garrahan, entre outros.
Ao site El Destape, o secretário-geral do SUTNA, Alejandro Crespo, relacionou o fechamento anunciado após 80 anos de atividade a negociações envolvendo tarifas de defesa comercial que visam neutralizar os efeitos nocivos da prática de dumping (venda de produtos importados a preços artificialmente baixos, abaixo do valor de mercado) para alumínio. “Foi uma negociação de alumínio em relação às folhas finas”, afirmou. Crespo disse que a retirada dessas tarifas, prevista para 5 de março, abriria caminho para importações da China e prejudicaria a Aluar, empresa do grupo Madanes Quintanilla. Ele declarou ainda: “este fechamento não é um fechamento real, foi uma jogada onde se utilizaram os trabalhadores que estamos lutando por nossos postos de trabalho para negociações de todo tipo que desconhecemos”. No mesmo relato, Crespo disse que, na terça-feira (24), às 12h30, estava prevista uma audiência com autoridades da província de Buenos Aires.
Negociação travada e nova audiência marcada
Na segunda-feira (23), uma audiência conciliatória entre a Fate e os trabalhadores organizados no SUTNA terminou sem acordo. O Ministério do Capital Humano informou que “não foi possível chegar a um acordo entre as partes” e marcou novo encontro para quarta-feira, 4 de março, às 11h.
A negociação foi aberta após os trabalhadores chegarem à fábrica em San Fernando e encontrarem um cartaz informando o encerramento das atividades; horas depois, começaram a receber telegramas em suas casas. Apesar da conciliação obrigatória, a planta permanece paralisada. A empresa condiciona a retomada ao fim da ocupação, enquanto o sindicato sustenta a permanência no interior do complexo como medida de defesa dos postos de trabalho. A Fate reiterou que o fechamento é irreversível, citando queda do consumo interno, abertura de importações asiáticas e “alta conflitividade” sindical.
Judiciário também entra em luta contra reforma
Também na segunda-feira (23), empregados do Judiciário iniciaram uma paralisação de 48 horas e ocuparam o prédio na Diagonal 760, na capital argentina, contra a possibilidade de fechamento da Justiça Nacional do Trabalho e contra a reforma trabalhista em tramitação no Congresso.
Os trabalhadores afirmam que a proposta prevê a transferência de processos do foro nacional para tribunais da cidade de Buenos Aires, o que, segundo eles, implicaria corte de postos e desmonte gradual da Justiça do Trabalho. Durante a jornada, foi definida uma mobilização para a terça-feira (24), apresentada como medida de “emergência” diante do que chamam de tentativa de “desmantelamento”.
Em comunicado, a União dos Empregados da Justiça da Nação (UEJN) denunciou “a gravíssima situação” do Foro Nacional do Trabalho, falou em “atropelo aos direitos trabalhistas” e declarou que a reforma significa “uma entrega da justiça trabalhista e uma ameaça para a proteção dos trabalhadores”. O texto sustenta que a norma “viola de maneira evidente a Constituição Nacional” e critica o apoio parlamentar à proposta: “a aprovação, por parte de senadores e deputados, do projeto centralista e regressivo promovido pelo Poder Executivo Nacional constitui uma verdadeira traição aos trabalhadores e à função constitucional que cumpre a Justiça do Trabalho”. Segundo os trabalhadores, dispositivos da reforma podem levar ao fechamento de ao menos 30 varas e à dissolução progressiva do foro trabalhista nacional.



