Os trabalhadores da construção civil de São Paulo iniciam greve nas obras na quarta-feira (20), após anúncio feito pelo sindicato da categoria. A paralisação foi convocada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo, Antônio Ramalho, diante da falta de proposta patronal na campanha salarial.
Ramalho anunciou a greve na segunda-feira (18), em suas redes sociais, afirmando que a categoria chegou ao limite depois de ao menos três reuniões com representantes patronais sem apresentação de proposta concreta de reajuste. As negociações envolveram também a Federação da categoria, mas, segundo o dirigente, os empresários seguiram sem resposta para as reivindicações dos operários.
O sindicato convoca todos os trabalhadores da base, os mais de 400 mil da construção civil em São Paulo, a cruzarem os braços simultaneamente para pressionar os patrões. Os trabalhadores da construção civil de São Paulo chamam a paralisação de “greve geral”, porque se trata de uma mobilização completa e indefinida de toda a categoria no setor, e não de uma paralisação parcial, de advertência ou limitada a algumas obras.
A greve tem como eixo a exigência de aumento real. Ramalho afirmou que o trabalhador que “amanhece e anoitece” nos canteiros para garantir o sustento da família merece valorização salarial. A fala expressa o conflito central: de um lado, um setor com obras em andamento e falta de mão de obra; de outro, patrões que resistem a transformar essa demanda por trabalhadores em reajuste efetivo.
O dirigente criticou diretamente a postura patronal e disse que a pressão só avança quando atinge o bolso dos empresários. A orientação do sindicato é paralisar obras para forçar a retomada das negociações em outro patamar. A frase usada por Ramalho — de que é preciso negociar com “as obras paradas” — resume a avaliação de que reuniões sem greve já se mostraram insuficientes.
A construção civil é uma das categorias mais duras do trabalho urbano. O ritmo físico intenso, os riscos de acidente, os longos deslocamentos e a instabilidade das obras contrastam com a resistência dos empregadores em reconhecer perdas salariais. Por isso, a greve geral anunciada para 20 de maio não aparece como gesto isolado, mas como consequência direta de uma campanha salarial travada.
A ausência de proposta patronal também revela uma contradição do setor. Se há falta de mão de obra, como afirmou o dirigente sindical, a resposta racional seria melhorar salários e condições para atrair e manter trabalhadores. A insistência em reajustes insuficientes, porém, mostra que os empresários buscam preservar margens e disciplinar a categoria, mesmo quando dependem dela para manter obras em funcionamento.
Ao convocar a adesão dos trabalhadores, o movimento usa o sindicato para a transformar insatisfação dispersa em força coletiva. A paralisação tem o objetivo imediato de destravar a campanha salarial, mas também carrega um recado mais amplo: sem pedreiros, serventes, carpinteiros, armadores, eletricistas e demais operários, a cidade não se constrói.



