Supremo Tribunal Federal

Toffoli admite ser sócio de empresa ligada ao Banco Master

Caso depende agora de avaliação de Edson Fachin e de manifestação da Procuradoria-Geral da República

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, admitiu ser sócio da empresa Maridt Participações S.A., que negociou participação no resort Tayayá, no Paraná, com fundo ligado ao entorno do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A revelação ocorre no momento em que o próprio Toffoli é relator, no STF, das investigações sobre supostas fraudes bilionárias envolvendo o banco.

O ministro declarou, por meio de nota, que integra o quadro societário da Maridt, empresa administrada por seus irmãos, e que recebeu apenas dividendos, todos devidamente declarados à Receita Federal.

A Maridt detinha participação no grupo empresarial responsável pelo resort Tayayá, empreendimento de alto padrão localizado em Ribeirão Claro (PR). Parte das cotas foi vendida, em 27 de setembro de 2021, ao Fundo Arleen — administrado pela Reag Investimentos, empresa que aparece no radar das investigações relacionadas ao Banco Master. O restante foi alienado em fevereiro de 2025 à PHD Holding.

Toffoli sustenta que assumiu a relatoria do caso Master apenas em novembro de 2025, quando a empresa já não fazia parte do grupo do resort. Afirma também que nunca recebeu qualquer valor de Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel, pastor e empresário ligado ao fundo comprador.

O caso Banco Master envolve suspeitas de fraudes na tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), além de possíveis irregularidades em operações financeiras que movimentaram cifras bilionárias.

A investigação ganhou nova dimensão quando a Polícia Federal apreendeu celulares de Daniel Vorcaro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, mensagens encontradas no aparelho citariam o nome de Toffoli em conversas com o banqueiro. O conteúdo permanece sob sigilo.

Diante do material, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, responsável por analisar eventual pedido de suspeição.

A suspeição é o mecanismo jurídico que permite questionar a imparcialidade de um magistrado quando existem indícios de vínculo ou interesse no objeto do processo. Embora a PF não seja parte formal da ação, o envio do relatório ao presidente da Corte é claramente uma tentativa de aumentar a pressão sobre o STF por parte da Polícia Federal.

O gabinete de Toffoli reagiu classificando o pedido como baseado em “ilações” e sustentando que a Polícia Federal não possui legitimidade processual para formular tal requerimento. O ministro afirmou que responderá formalmente a Fachin.

Nos bastidores do STF, porém, o ambiente tornou-se tenso. Segundo a imprensa capitalista, ministros teriam avaliado que, independentemente da existência de ilegalidade comprovada, o vínculo empresarial cria um desgaste institucional profundo.

Reportagens revelaram que a Maridt possuía capital social declarado de apenas R$150. Apesar disso, participava de empreendimento turístico de alto padrão. O endereço registrado da empresa seria uma residência em Marília (SP), vinculada a um dos irmãos do ministro. A discrepância entre o capital formal e o volume de negócios chamou atenção de investigadores.

Documentos indicam que os irmãos de Toffoli, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, figuravam como administradores da empresa. A PF apura movimentações financeiras envolvendo a Maridt e eventuais repasses ao ministro. Toffoli afirma que recebeu exclusivamente dividendos legais.

A atuação de Toffoli no processo do Banco Master já vinha sendo alvo de muita polêmica antes mesmo da sua recente confissão. Entre os episódios apontados, estão:

  • Centralização dos inquéritos relacionados ao banco em seu gabinete;
  • Determinação de lacrar material apreendido na Operação Compliance Zero;
  • Designação nominal de peritos da PF para análise dos aparelhos;
  • Restrição inicial ao uso de tecnologias avançadas de perícia digital.

Posteriormente, parte das decisões foi revista, mas a crise política já havia sido instaurada. Em resposta à pressão, Toffoli determinou que a PF envie ao STF a íntegra de todos os dados telemáticos e periciais coletados no caso, ampliando o controle do Supremo sobre a investigação.

Outro elemento que ganhou as páginas dos jornais foi a viagem do ministro a Lima, no Peru, para assistir à final da Copa Libertadores de 2025, na companhia de um advogado ligado a investigados do caso Master.

No Congresso Nacional, parlamentares protocolaram pedidos de investigação e até de impeachment do ministro.

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), apresentou requerimentos para convocar os irmãos de Toffoli a prestar esclarecimentos. Também foram solicitadas quebras de sigilo envolvendo empresas e gestores ligados ao caso.

Os setor mais ligados ao governo, por sua vez, defendem que a Polícia Federal tem atuado com autonomia desde 2023 e que as investigações devem seguir seu curso institucional.

A Lei Orgânica da Magistratura permite que juízes integrem quadros societários, desde que não exerçam funções de gestão. Formalmente, a participação de Toffoli não violaria essa regra. Contudo, o problema que emerge é político. A simultaneidade entre participação societária em empresa que negociou com fundo ligado ao investigado e a relatoria do processo correspondente são um escândalo.

O desfecho dependerá da análise de Edson Fachin e da manifestação da Procuradoria-Geral da República.

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