Os novos desdobramentos do caso Banco Master confirmam a magnitude de um escândalo no qual estão envolvidas todas as instituições do Estado. As notícias que emergem, envolvendo grandes instituições financeiras e ramificações que atingem diretamente famílias de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam uma rede de corrupção que coloca em xeque a dita “defesa da democracia”por parte dos juízes.
A profundidade do envolvimento das autoridades públicas é estarrecedora. Informações recentes apontam contratos milionários — como o da esposa do ministro Alexandre de Moraes, no valor de 129 milhões de reais — e investimentos da instituição em propriedades ligadas à família do ministro Dias Toffoli. Mas o esquema não se limita ao Judiciário: parlamentares, governadores e uma legião de prefeitos que comprometeram recursos municipais no banco fazem parte desta engrenagem.
A pressão política para evitar a liquidação do Banco Master tem um objetivo claro. A solução articulada nos bastidores é a encampação da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Na prática, isso significa ocultar a falcatrua e transferir uma conta estimada em 50 bilhões de reais para os cofres públicos. Como o governo do Distrito Federal não possui lastro para sustentar tamanha fraude, o custo final da aventura especulativa do banqueiro Daniel Vorcaro recairá, inevitavelmente, sobre o governo federal e o bolso do trabalhador.
O fato de o escândalo não ter explodido com toda a sua força se deve à quantidade colossal de figuras influentes comprometidas. O Banco Master é o sintoma de um sistema financeiro que opera como um cassino.
O que ocorreu nesta instituição é a regra, não a exceção. Milhares de instituições financeiras sobrevivem da especulação pura, prometendo ganhos ilusórios baseados em dinheiro fictício e esquemas de pirâmide. O sistema financeiro moderno é um jogo de apostas que, ao desabar, deixa a população desamparada enquanto os grandes agentes buscam o socorro estatal para suas perdas.
O aspecto mais escandaloso deste processo é a imposição do segredo de justiça. Durante anos, setores da esquerda pequeno-burguesa sustentaram a propaganda de que o STF seria o baluarte da “democracia” e do Estado de Direito. No entanto, um princípio elementar de qualquer regime democrático é a publicidade dos atos públicos.
Colocar sob sigilo um escândalo financeiro desta envergadura é uma barbaridade autoritária. O povo tem o direito de saber quem são os responsáveis pela dilapidação de recursos e quais autoridades estão mancomunadas com o capital especulativo. O segredo de justiça, neste contexto, não serve para proteger investigações, mas para blindar uma casta de burocratas e banqueiros contra o julgamento popular.





