O Ministério do Interior de Cuba (Minint) divulgou novos elementos da investigação sobre o confronto armado ocorrido na quarta-feira (25) entre tropas guardas-fronteiras e uma lancha de alta velocidade registrada nos Estados Unidos. De acordo com Havana, tratou-se de uma “infiltração” com objetivos “terroristas” conduzida por um grupo de cubanos residentes em território norte-americano.
Segundo o Minint, o choque começou quando guardas cubanos se aproximaram da embarcação, de matrícula FL7726SH (registrada na Flórida), para uma checagem de identificação. A lancha operava a cerca de uma milha náutica da costa norte de Villa Clara, na área do canalizo El Pino, nas proximidades de cayo Falcones, município de Corralillo. As autoridades cubanas afirmaram que os ocupantes da lancha atiraram primeiro, ferindo o comandante de uma embarcação de patrulha. Em seguida, os guardas responderam aos disparos.
O governo cubano informou que quatro pessoas morreram e seis ficaram feridas. Os feridos foram capturados e receberam assistência médica, de acordo com o comunicado. Entre os mortos, Havana identificou Michel Ortega Casanova; os outros três ainda estão em processo de identificação.
Armas e lista nacional
Ainda conforme o Ministério do Interior, foram encontrados na lancha fuzis de assalto, armas curtas, coletes balísticos, miras telescópicas, uniformes de camuflagem e explosivos artesanais, como coquetéis molotov. O Minint afirmou que o conjunto do material é compatível com uma operação de desembarque armado e “infiltração com objetivos terroristas”.
O governo cubano declarou ter identificado por nome os seis detidos que estavam na embarcação e afirmou que alguns constam na lista nacional de pessoas e entidades procuradas por ligações com ações violentas e atividades terroristas. Entre os nomes citados por Havana estão Amijail Sánchez González e Leordan Enrique Cruz Gómez, listados como buscados por atos de terrorismo sob a Resolução 1373 do Conselho de Segurança da ONU.
O Minint anunciou ainda a prisão, em território cubano, de um sétimo envolvido, Duniel Hernández Santos. Segundo as autoridades, ele confessou ter sido enviado previamente desde os Estados Unidos para coordenar a logística do desembarque do grupo armado.
Reações de Rússia e EUA
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, classificou o episódio como “uma provocação agressiva dos Estados Unidos”, voltada a elevar as tensões e “detonar um conflito”. Em seguida, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, elogiou a ação dos guardas cubanos e declarou que, diante das confissões atribuídas aos detidos sobre “intenções terroristas”, “não há margem para discussão” sobre a resposta de Havana. Peskov também pediu moderação internacional e advertiu para o aumento perigoso das tensões em torno da ilha.
Do lado norte-americano, o secretário de Estado Marco Rubio negou envolvimento do governo dos EUA no caso e disse que a embarcação não pertenceu à Marinha nem à Guarda Costeira. “Vamos ter nossas próprias informações sobre isso, e vamos descobrir exatamente o que aconteceu”, afirmou, dizendo que Washington ainda reunia dados independentes e que não havia mantido conversas diretas com Havana após o ocorrido. Rubio descreveu o episódio como “muito incomum”.





