A depender de certos comentaristas ditos progressistas, a esquerda deveria mover céus e terras em defesa de ministros do STF cuja credibilidade está por um fio desde que foram reveladas suas relações com o malfadado Banco Master. Está valendo qualquer coisa para limpar a barra de Alexandre de Moraes, de Dias Toffoli e, é claro, dos outros, que, mesmo não estando diretamente na folha de pagamentos de Daniel Vorcaro, são useiros e vezeiros de práticas pouco republicanas, nas suas relações diretas e indiretas com poderosos empresários.
Chama a atenção a defesa apaixonada que Eduardo Guimarães faz dos membros do tribunal nas manhãs de quinta-feira no Portal 247. Segundo ele, o célebre contrato de R$ 129 milhões de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master simplesmente não existe. A insistência dele nesse ponto beira o ridículo, uma vez que nem o próprio Moraes nem sua ilustre esposa vieram a público negar que o vínculo exista. Não negaram e também não explicaram. Deram de ombros. Afinal, e daí?
Ora, os próprios ministros do STF criam os seus regulamentos, que lhes permitem fazer o que querem, a começar de suas palestras pagas a peso de ouro por toda sorte de empresários interessados em decisões simpáticas ao próprio negócio. Um agradinho aqui, outro acolá e o que vemos é que os ministros do STF se tornaram eles próprios fazendeiros, empresários, donos de hotéis, de faculdades etc. Não foi à toa que Barroso pediu para sair antes que a coisa explodisse.
Eduardo Guimarães alega que a esquerda que põe em dúvida a lisura de Moraes e Toffoli estaria contra o Lula, como certos setores que engrossaram o coro do golpe contra Dilma Rousseff. Na opinião dele, as situações são idênticas. Ele só se esquece de um detalhe: o STF não é exatamente “de esquerda”, além, é claro, do resto.
Está certo que a direita bolsonarista associa Lula a Moraes e ao STF porque, de fato, o PT terceirizou a luta política para o tribunal. Em vez de mostrar por que sua política é melhor que a de Bolsonaro, achou mais fácil criminalizar os bolsonaristas e endossar as penas draconianas aplicadas contra gente do povo. Agora, o STF perde a credibilidade e quem fica com o mico é o Lula. Então… a única saída seria defender Moraes, Toffoli e os demais, mesmo que seja preciso apelar para o terraplanismo. Precisa ver se a militância vai querer passar essa vergonha.
Negar a existência do contrato que nem o Moraes negou, isso sim é “negacionismo”. Se o contrato não existisse e Moraes não tivesse o rabo preso, bastaria que incluísse os jornalistas Malu Gaspar e Lauro Jardim, bem como o jornal O Globo, no inquérito das fake news, como, de resto, vem fazendo com quem diz o que ele acha inconveniente. Se a foto do contrato, publicada na matéria do Globo, pode ser falsa, como piamente acredita Eduardo Guimarães, o jornal publicou uma tremenda fake news contra o “superpoderoso” Alexandre de Moraes. Por muito menos, o homem cassa canal de internet, recolhe passaporte, bota na cadeia etc. Só que com as Organizações Globo a coisa muda de figura.
Para não ficar muito feio para sua imagem de xerife, o ministro já mandou investigar quem teria vazado as informações não só do contrato milionário com o Banco Master (para não fazer nada) como da evolução patrimonial da sua mulher desde que ele assumiu o cargo, também noticiada no Globo. Mantendo seu estilo, Moraes convocou para depor um representante do sindicato de auditores fiscais que ousou, em entrevista na imprensa, criticar o exagero de suas recentes ações contra funcionários da Receita que teriam buscado acesso às secretíssimas informações.
O imbróglio deixa claro que os superpoderes de Alexandre não atingem a Globo. Por que será? Muito provavelmente porque os tais superpoderes não são dele, mas de quem quer escolher o novo presidente, alinhado aos interesses do imperialismo, representado pela Globo. Alexandre é um mero funcionário, que aproveita seus dias de glória para engordar o pé-de-meia.
A Globo mandou um sinal a fim de que ele não esqueça quem é que manda de verdade. Sua tarefa era tirar o Bolsonaro da eleição. Missão cumprida com louvor. Próxima tarefa a ser realizada: atrapalhar o Lula para eleger o Milei brasileiro. Nesse caso, ironicamente, Moraes pode ajudar sem fazer (mais) nada.





