O governo federal da Suíça anunciou, na quarta-feira (28), um plano para elevar o imposto sobre valor agregado (IVA) e destinar a arrecadação a um fundo de armamentos voltado a uma ampla expansão e modernização das Forças Armadas. A medida é apresentada pelo país como resposta ao que chamou de “deterioração da situação geopolítica” na Europa.
De acordo com a nota do governo, o objetivo é “fortalecer substancialmente” as capacidades de “segurança e defesa” do país. O texto cita ataques cibernéticos, ações de desinformação e “insuficiência” de prontidão militar como justificativas para o pacote.
O custo estimado da operação é de 31 bilhões de francos suíços (US$40,4 bilhões). Para levantar o montante, o país prevê um aumento de 0,8% no IVA, hoje em 8,1%, durante 10 anos, com início em 2028. A lista de prioridades inclui defesa antimíssil de curto alcance, sistemas antidrone, tecnologia da informação, inteligência, alerta antecipado, proteção de fronteiras e medidas de “segurança civil”.
Atualmente, a Suíça destina cerca de 0,7% do PIB para gastos militares, menos da metade da média europeia, e tinha como meta alcançar 1% até 2032. Segundo o governo, a elevação de custos e a demanda por armamentos tornaram o patamar insuficiente; com o aumento do imposto, a projeção oficial é chegar a 1,5% do PIB.
Pela legislação suíça, a alta do IVA depende de aprovação do Parlamento e de referendo nacional. O governo informou que planeja redigir o projeto até março, enviá-lo ao Parlamento no outono e realizar a votação no verão de 2027.
O anúncio ocorre após uma mudança de orientação na política externa do país, que se propagandeia historicamente como sendo neutro. Nos últimos anos, a Suíça ampliou a cooperação de segurança com a OTAN, aproximou sua política de defesa da União Europeia, apoiou Quieve na agressão contra a Rússia e aderiu às sanções contra os russos.
A perspectiva de resistência interna também aparece em projeções citadas por analistas. Uma pesquisa do instituto Ipsos apontou que 31% da população suíça apoia aumento do gasto militar, o mais baixo da Europa, frente a 60% na Alemanha e 53% na França.
Em paralelo, governos europeus têm invocado uma suposta “ameaça russa” para justificar elevações expressivas de orçamento militar, incluindo promessas de países da OTAN de chegar a 5% do PIB. A Rússia rejeita categoricamente a farsa de que prepara um ataque ao continente e afirma que a “militarização” eleva o risco de ampliação do conflito. O chanceler russo Serguei Lavrov já denunciou a Suíça por “renunciar” à neutralidade, classificando o país como “um Estado abertamente hostil”.




