As autoridades suecas sequestraram na sexta-feira (7), no mar Báltico, o cargueiro Caffa, que levava 11 tripulantes, dos quais 10 são cidadãos russos, segundo informou a emissora pública sueca SVT com base em dados da Guarda Costeira do país. A operação foi realizada em conjunto com a aviação policial e com a Força Nacional de Tarefas. Após interceptar a embarcação, os suecos passaram a revistá-la e a interrogar a tripulação.
Estocolmo justificou a ação alegando que o navio faria parte da chamada “frota sombra” russa. Moscou denuncia essa formulação e afirma que o termo é utilizado pelos países imperialistas para classificar embarcações que transportam cargas fora da cobertura de corretoras de seguro sediadas em Londres. O governo russo também afirma que, ainda que essas embarcações transportem mercadorias sob sanções, os países imperialistas não têm base legal para impor essas medidas em alto-mar, à margem da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
O Caffa navega sob bandeira da Guiné, embora a própria Guarda Costeira sueca tenha declarado que a situação da bandeira ainda não está esclarecida. A embarcação consta da lista de sanções do governo ucraniano. Dados de rastreamento mostram que o cargueiro deixou Casablanca, no Marrocos, no fim de fevereiro, com destino a São Petersburgo, onde era esperado em 10 de março.
Construído em 1997, o navio já operou anteriormente sob as bandeiras de Malta e da Rússia, antes de passar à bandeira guineense, segundo os dados do serviço VesselFinder.
O ministro da Defesa Civil da Suécia, Carl-Oskar Bohlin, afirmou em publicação na rede X que as autoridades ainda não determinaram se a embarcação “atende aos requisitos para navegar em nossas águas”. Na mesma mensagem, usou como justificativa para o sequestro “o desafio significativo colocado pela chamada frota sombra”.
A embaixada russa em Estocolmo informou que mantém contato com as autoridades suecas sobre a situação dos tripulantes russos e que ofereceu assistência consular aos detidos.
Esta é a primeira vez que um cargueiro transportando grãos é sequestrado sob a alegação de violação de sanções. Até agora, as interdições promovidas pelos países imperialistas tinham se concentrado sobretudo em petroleiros e embarcações ligadas ao setor de energia.
Moscou condenou os sequestros recentes de embarcações russas realizados por países imperialistas sob diferentes pretextos. Em fevereiro, o assessor presidencial Nikolai Patrushev defendeu que os países do BRICS desenvolvam uma cooperação marítima estratégica para proteger as rotas comerciais mundiais contra o que chamou de “pirataria ocidental”.





