Editorial

Solidariedade com os saudosistas da ditadura de Reza Pahlavi?

Ministério de Relações Exteriores do Governo Lula emite mais uma nota vergonhosa

Em nota oficial divulgada no dia 13 de janeiro, o governo brasileiro veio a público manifestar “preocupação” e “condolências” pelas mortes de provocadores contratados pelo imperialismo e pelo sionismo com a finalidade de desestabilizar a República Islâmica do Irã.

O que está acontecendo no Irã não é uma manifestação popular espontânea. É uma operação criminosa, financiada pela CIA e pelo Mossad, utilizando mercenários e elementos desclassificados contra o país que é o organizador do Eixo da Resistência. Enquanto o povo iraniano sai às ruas aos milhões para defender seu governo e sua soberania contra o cerco econômico, o governo saiu em defesa dos inimigos da nação que mais apoiou a guerra de libertação palestina.

A nota brasileira é, acima de tudo, um atestado de hipocrisia. Onde estava o “lamento pelas mortes” e a “preocupação humanitária” do governo brasileiro quando os governos reacionários e pró-imperialistas da América Latina reprimiram violentamente suas populações?

No Peru, o governo golpista de Dina Boluarte assassinou dezenas de camponeses e jovens que lutavam contra o golpe que derrubou o presidente eleito Pedro Castillo. O Ministério de Relações Exteriores ficou calado. Emitiu notas burocráticas sobre “estabilidade institucional”. No Equador, enquanto índios e trabalhadores eram massacrados por se oporem aos governos neoliberais, o governo brasileiro correu para se solidarizar… com o governo! Falou em “combate ao crime organizado” e não denunciou a repressão política.

Para o Itamaraty, quando um governo capacho do imperialismo mata seu povo na América Latina, é “ordem democrática”. Mas quando um regime revolucionário que enfrenta o imperialismo se defende de sabotadores armados por “Israel”, aí a diplomacia brasileira se torna “humanitária”.

A nota brasileira, além de cínica, é mentirosa porque ignora a realidade gritante das ruas: a esmagadora maioria da nação iraniana está com o governo e contra a intervenção estrangeira. O Itamaraty finge não ver os milhões de iranianos que denunciam as sanções criminosas dos Estados Unidos como a verdadeira causa do sofrimento econômico do país.

Essa postura é uma traição à luta dos povos oprimidos. O Brasil, que deveria estar na linha de frente da denúncia contra o cerco ao Irã — um país que sofre com sanções unilaterais que atingem medicamentos e comida — se alinha aos provocadores imperialistas.

Trata-se de uma vergonhosa capitulação. Não se pode falar em “mundo multipolar” ou “soberania” enquanto se emite notas que servem de pretexto para o imperialismo intensificar suas agressões militares e econômicas contra o Irã.

Cabe destacar, ainda, que aqueles com os quais o governo brasileiro se solidariza se opõem à revolução iraniana de 1979 — e, portanto, defendem o regime anterior. São defensores da ditadura fascista de Reza Pahlavi, um dos governos mais sangrentos de toda a história da região. Para quem faz do lema de seu governo a defesa da “democracia”, a solidariedade com os pahlavistas é, no mínimo, uma profunda incoerência.

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