O sociólogo Jessé Souza virou alvo de uma notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF) após publicar um vídeo em que comentava o caso Jeffrey Epstein e fazia críticas ao lobby sionista. A representação foi apresentada por parlamentares e integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), que acusam o professor de “antissemitismo”.
Em vídeo divulgado nas redes sociais — posteriormente retirado do ar — Jessé Souza afirmou que o financista Jeffrey Epstein teria sido financiado por um “lobby judaico” e classificou o escândalo como expressão de uma estrutura internacional associada ao sionismo. Em determinado momento, declarou que Epstein seria “produto do sionismo” e mencionou o papel do Estado de “Israel” no cenário político mundial.
As declarações motivaram a reação do deputado estadual Guto Zacarias (União-SP) e do dirigente do MBL Renato Battista, que acionaram o MPF pedindo investigação criminal. Segundo os autores da representação, as falas “extrapolariam” a crítica política e configurariam “discurso antissemita” dirigido ao povo judeu enquanto coletividade.
Procurado, Jessé Souza afirmou que não teve intenção de atacar qualquer grupo religioso ou étnico, mas sim de criticar uma “estrutura de poder”. Pressionado, afirmou ter cometido um erro ao não separar claramente as expressões “lobby sionista” e “judaico”, razão pela qual decidiu remover o vídeo. Jessé, no entanto, não respondeu o óbvio: ninguém deve satisfação a monstros genocidas que bebem o sangue de crianças palestinas. Qualquer acusação moral vinda dos sionistas é puro cinismo.
Enquanto a representação contra o sociólogo ganhou rápida repercussão política, vários casos envolvendo os sionistas tiveram um desfecho muito distinto.
No ano passado, Yuval Vagdani, integrante das Forças de Ocupação de “Israel”, foi denunciado pela Fundação Hind Rajab (HRF), que o acusa de participar da demolição de um bairro residencial na Faixa de Gaza. A Justiça Federal determinou a abertura de investigação e encaminhou o caso à Polícia Federal. O Brasil é signatário da Convenção de Genebra e do Estatuto de Roma, o que lhe impõe obrigações internacionais de apuração de possíveis crimes de guerra, ainda que cometidos fora do território nacional.
No entanto, o militar deixou o país após tomar conhecimento do pedido de investigação, com apoio da Embaixada de “Israel” no Brasil e do Mossad. As instituições brasileiras ficaram absolutamente caladas, e o governo brasileiro sequer emitiu um protesto diplomático.
Também chama a atenção que, durante os últimos anos, os palestinos tiveram uma dificuldade imensa de ingressar em território brasileiro, mesmo alegando serem refugiados de guerra. Vários artigos publicados neste Diário expuseram a situação degradante e desesperadora de palestinos que chegaram ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, mas não conseguiram ingressar no País de imediato.
O processo contra Jessé Souza apenas comprova o que ele disse: o lobby sionista é uma força poderosíssima em todo o planeta. Enquanto as instituições brasileiras agem com conivência com genocidas e criminosos de guerra, o lobby sionista persegue todos os que denunciam os crimes de “Israel”. Entre eles, o jornalista Breno Altman, do Partido dos Trabalhadores (PT), o dirigentes do Partido da Causa Operária (PCO), particularmente seu presidente nacional, Rui Costa Pimenta.
O PCO, inclusive, já foi, por mais de uma vez, alvo do deputado Guto Zacarias, que tentou impedir que o Partido realizasse uma manifestação em apoio à resistência palestina e já entrou com uma representação acusando pessoas ligadas ao PCO de vender produtos alusivos à luta do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) — grupo que não é reconhecido como “terrorista” no Brasil.





