O ano que se encerra ficou marcado como um ano de paralisia da reforma agrária e da falta de criação de novos assentamentos, da nulidade de demarcação das terras de índios, do avanço da violência e da repressão do Estado e latifúndio contra os trabalhadores sem terra.
Nenhum assentamento
O governo Lula, desde a sua posse em 2023, não assentou uma única família sem-terra no Brasil, e o avanço nas políticas de apoio à agricultura familiar foi muito pequeno devido à burocracia, o que tornou quase impossível às famílias mais pobres acessarem.
Já as demarcações de terras dos índios que ocorreram no ano foram em número muito pequeno em relação à quantidade de áreas que ainda faltam para serem demarcadas. Em 2025, foram 10 terras de índios demarcadas, durante os eventos da COP 30. Só para se ter uma ideia, no Brasil existem 1.296 terras de índios e 69,5% dessas ainda estão emperradas em alguma etapa do processo de demarcação e homologação do Governo Federal.
Violência contra os que lutam
A violência contra militantes e lideranças da luta pela terra, seja pela demarcação ou de assentamentos, vem aumentando sistematicamente. Em 2025, o grupo paramilitar Invasão Zero, criado por latifundiários na Bahia e que já se espalhou por diversos estados, cresceu e se organizou ainda mais. Neste ano, organizaram o seu primeiro encontro nacional no município de Ilhéus, na Bahia.
Ainda não se tem os números da violência neste ano, mas assassinatos e espancamentos ocorreram em todo Brasil, e a perseguição do Judiciário contra militantes e lideranças, com processos e prisões arbitrárias, assumiu uma enorme dimensão. Em Mato Grosso do Sul, Rondônia e Bahia, o Estado montou operações através das secretarias de Justiça contra os movimentos de luta pela terra.
O famigerado Marco Temporal, aprovado no Congresso Nacional, foi recusado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mas a anulação apresentada pelos ministros é um golpe, porque as condicionantes colocadas por eles praticamente inviabilizam a demarcação de terras, como a indenização dos proprietários para que as terras sejam disponibilizadas para os índios.
Identitarismo se multiplica
2025 também foi o ano em que o governo Lula tentou aumentar sua popularidade com a realização da COP 30 na cidade de Belém, no Pará, agradando setores do movimento ambientalista e do imperialismo.
A COP 30 foi utilizada amplamente para reforçar a campanha contra a exploração de petróleo na costa do Amapá e na Amazônia; na exploração mineral da região, contra o garimpo realizado por trabalhadores e comunitários, e contra o desenvolvimento econômico da região Norte do País.
Uma enorme demagogia e ataque à soberania nacional que o governo Lula encampou como uma bandeira de propaganda que afasta ainda mais o governo da base de trabalhadores, mas que agrada o imperialismo.
Na questão do campo, o governo Lula também tem adotado medidas que, apesar do avanço em relação aos governos de Temer e Bolsonaro, são ínfimos em relação ao problema geral e que dificilmente será percebido como melhoria pelos trabalhadores.




