O artigo A nova Inquisição, de Alex Solnik, publicado no Brasil247 nesta terça-feira (3), faz um desabafo, ou uma denúncia. Mas sua abordagem do problema é insuficiente, pois tenta se valer das leis em abstrato. Sim, para se compreender adequadamente do que se trata, é preciso destacar que Solnik é judeu.
No primeiro parágrafo, o jornalista, para sustentar sua argumentação, recorre ao início da República dizendo que “o estado brasileiro é laico desde o dia 7 de janeiro de 1890, quando o marechal Deodoro da Fonseca, chefe do governo provisório, assinou o Decreto 119-A.”
Estado laico, mas a população era majoriamente católica. Uma coisa é o Estado; outra, a Nação. A coisa nem mudou nestes poucos 136 anos, como demonstra o próprio Solnik ao apresentar que “de acordo com o censo de 2022, publicado em 2025, a população brasileira é formada por 56,7% de católicos apostólicos romanos (100,2 milhões); 26,9% de evangélicos (47,4 milhões); 9,3% sem religião (16,4 milhões); 4% de outras religiões – judeus, islâmicos, budistas, etc – (7,1 milhões); 1% de espíritas (1,8 milhões) e 0,1% de tradições indígenas (200 mil).”
Puna-se!
Indignado, provavelmente por algum tratamento indevido contra si, o jornalista lembra a seus possíveis detratores que “além de garantir a liberdade de culto para todos, o estado brasileiro pune o preconceito, a discriminação, a injúria e atentados às religiões por meio de várias leis, inclusive a lei antiterror, a mais severa de todas, com penas de até 30 anos de prisão.” – grifo nosso.
No Brasil, com a infiltração do identitarismo, e o natural recrudescimento do regime – uma exigência da crise geral do capitalismo – foram criadas essas ‘leis-valise’, dentro das quais cabe de tudo, até o absurdo de se condenar de terrorismo alguém por qualquer um dos motivos listados acima. 30 anos em cana, mais grave que um assassinato simples. No Brasil, chegamos a isso. Parece surreal, mas vale mais a pena matar alguém do que injuriar. Se estiver com muita raiva de um judeu, um xintoísta, o que seja, não xingue, mate, pois ficará menos tempo na cadeia (isso não é um conselho, apenas ironia).
É claro que para se aplicar a lei do terrorismo por motivo religioso se exigiria outros elementos, como uso de gases tóxicos, explosivos, sabotagem etc., No entanto, a Justiça no Brasil é bastante criativa, ainda mais quando pressionada por determinados lobbies. Portanto, que ninguém se assuste se não criarem a categoria “terrorismo verbal”.
Solnik diz que “a maioria da população, tal como o Estado, respeita os adeptos de todas as religiões”, mas isso está longe ser verdade. O que acontecia, até outro dia, é que ninguém ligava; ou melhor, se xingava de volta e a vida seguia em frente. Durante muito tempo, o Estado nunca teve boa vontade com outras religiões que não fosse a Católica. Ultimamente, a Justiça tem sido estranhamente favorável ao sionismo, ainda que se trate de uma ideologia, não de uma religião. Também não temos provas de que algum juiz tenha sido subornado pelo lobby sionista.
Lemos no texto que “com o advento das redes sociais, uma ínfima minoria de maus brasileiros, guiada pelos sentimentos de ódio, ressentimento ou inveja tenta subverter essa tradição”. Para dizer a verdade, a tradição sempre foi criticar as religiões menos influentes. Mas sempre foi uma coisa corriqueira e sem maiores desdobramentos. O identitarismo que começou uma campanha de histeria sobre qualquer tipo ofensa. A esquerda, desavisada, comprou a ideia e se engajou na criação de novos crimes e leis mais repressivas.
Sionismo x judaísmo
É preciso analisar o que Sonik diz quando escreve que “abusando do anonimato da internet e da liberdade de expressão, também inscrita na constituição, eles se aproveitam de conjunturas internacionais para injuriar e incitar o preconceito e a discriminação, instalando um clima de cizânia que se traduz em intimidações, cancelamentos, agressões verbais e até físicas”. É preciso lembrar que a liberdade de expressão morreu no Brasil, e a esquerda apoia essa truculência do STF.
O jornalista está se referindo, muito provavelmente, a duas ‘conjunturas internacionais’, o genocídio promovido na Faixa de Gaza pelo exército “israelense” apoiado por outros países. Número oficiais apontam mais de 72 mil mortos (estimas projetam até 200 mil mortes), dos quais, aproximadamente 20 mil eram crianças, 11 mil mulheres e 5 mil idosos. E os assassinatos não param, apesar do cessa-fogo. Tudo isso está sendo amplamente divulgado nas redes.
Os sionistas, espertamente, se escondem atrás do judaísmo para cometerem seus crimes. Essa confusão faz com que todos os judeus paguem pelos outros.
O outro evento é início da agressão conjunta e covarde de EUA-“Israel” contra o Irã. No primeiro ataque (28/fevereiro), uma escola de meninas entre 6 e 12 anos foi bombardeada em Minab, um padrão que se repetiu em Gaza, matando 165 crianças. Não se sabe o número de mutiladas ou em estado crítico. No dia 3 de março iniciaram os funerais.
Alex Solnik termina seu texto dizendo “não os odeio nem tenho raiva deles; tenho pena. Por mais que se empenhem nessa cruzada infame que preconiza recriar a Inquisição no Brasil, eles não vão conseguir seu intento”. O jornalista poderia fazer melhor, poderia fazer como Breno Altman, Norman Finkelstein, denre tantos judeus, e denunciar o sionismo. Posi são eles, os sionistas que, infelizmente, estão transformando todo judeu em alvo móvel.





