A Associação Trabalhadores do Estado (ATE) anunciou uma greve total nos aeroportos da Argentina a partir de 0 horas de segunda-feira (2) em protesto contra atrasos no pagamento de salários na Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC). A medida atinge 27 aeroportos e ocorre em meio às férias de verão no país, com previsão de atrasos e cancelamentos de voos.
Em publicação no X, o secretário-geral da ATE Nacional, Rodolfo Aguiar, escreveu:
“Atrasam o pagamento de salários na ANAC e na segunda-feira 2 a ATE vai ao paro em todos os aeroportos! A demora e cancelamento de voos será exclusiva responsabilidade do governo!”
Em comunicado, o dirigente afirmou que o governo de Javier Milei “deu marcha a ré” em um aumento salarial já acertado, refez os cálculos de pagamento e deixou trabalhadores sem receber.
Aguiar informou que o sindicato entrou em assembleia permanente e apontou que, antes do início da greve, medidas como “quitação de colaboração” e cese de tarefas já passam a ser discutidas, com impacto nos serviços. O dirigente declarou que, caso as atas assinadas não sejam cumpridas e os salários não sejam pagos “como corresponde”, a paralisação começa integralmente no início de 2 de fevereiro.
A greve abrange trabalhadores do controle terrestre, bombeiros, sanidade, inspetores, administrativos e outras funções, com impacto sobre “todos os voos”, exceto os de Estado, os sanitários, humanitários e os de traslado de órgãos. Aguiar atribuiu a responsabilidade do conflito à ANAC e às áreas governamentais de Transporte e Emprego Público, que, segundo ele, “jogam com o bolso dos trabalhadores”.
Cortes no setor público
O anúncio do paro ocorreu em meio à divulgação de dados sobre demissões no funcionalismo argentino. Informações publicadas pelo Instituto de Estatística e Censos (Indec), com base em números próprios e do Ministério da Desregulação e Transformação do Estado, apontam que o Estado argentino tinha 280.120 empregados em dezembro de 2025, 21.742 a menos que em dezembro de 2024, queda de 7,2% no período.
O ministro Federico Sturzenegger celebrou a redução do emprego público e afirmou no X que a “motosserra” permitiu a Milei e ao ministro da Economia, Luis Caputo, reduzir impostos nacionais. Já um estudo do Centro de Economia Política Argentina (CEPA) registrou que os salários do funcionalismo nacional perderam 34,1% do valor entre novembro de 2023 e novembro de 2025.
Também no X, Aguiar declarou que os cortes orçamentários e as demissões rebaixaram o nível de atendimento do setor público ao “piso mínimo histórico”, com perda de direitos para a população. O dirigente apontou que áreas como saúde e educação seguem funcionando pelo trabalho de médicos e docentes, enquanto o enxugamento de equipes e verbas se aprofunda, indicando uma política de transferência de recursos do setor público para o setor privado.



