A paralisação dos entregadores da Shopee começou em 4 de novembro diante do terminal de cargas do Galeão, na Ilha do Governador. A data não é indiferente para a empresa: a campanha comercial de 11 de novembro se aproximava, com a expectativa de aumentar o volume de encomendas. Os trabalhadores aproveitaram o momento para cobrar mudanças no pagamento e na distribuição do serviço.
Segundo Bruno França, vice-presidente da Associação e Movimento dos Entregadores do Rio de Janeiro, a convocação para trabalhar é desigual. Enquanto alguns recebem chamadas frequentes, outros não sabem quando terão uma nova entrega. Os profissionais também relatam que atrasos ou faltas podem resultar em períodos sem convocação, sem duração previamente informada. A Shopee os apresenta como prestadores independentes, embora a distribuição do trabalho e as punições fiquem sob controle da empresa.
A lista de reivindicações trata das horas e despesas que saem do bolso de cada entregador. Rotas com destinos espalhados aumentam o consumo de combustível. Filas demoradas para carregar o veículo alongam a jornada. Valores baixos por entrega reduzem o ganho mesmo nos dias em que há muito serviço. Os manifestantes querem trajetos organizados por regiões próximas, reajuste dos pagamentos e critérios claros para definir quem trabalha.
A Shopee informou que mantém contato com os entregadores. Sua nota, porém, não anunciou o fim das punições contestadas nem apresentou uma proposta para as escalas e os valores. A advogada trabalhista Angélica Fraga, ouvida na reportagem fornecida à redação, afirmou que ordens, habitualidade e punições podem ser consideradas na discussão sobre vínculo de emprego. A definição jurídica depende da situação de cada trabalhador; a cobrança coletiva por melhores condições já está posta diante da empresa.
Os entregadores não precisam esperar uma decisão judicial para exigir o fim de suspensões arbitrárias. Ao interromperem as saídas do terminal, mostraram quem realiza o trabalho do qual depende a campanha comercial da Shopee. A empresa deve divulgar suas regras, pagar mais e negociar com a categoria organizada.
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