Europa

Serviço secreto russo: OTAN quer armar Ucrânia com bomba nuclear

SVR diz que Reino Unido e França estudam transferir componentes, ogiva TN 75 ou apoiar “bomba suja”; Medvedev ameaça resposta nuclear

O Serviço de Inteligência Exterior da Rússia (SVR) afirmou, nesta terça-feira (24), que Reino Unido e França estariam discutindo uma maneira de fornecer, de forma encoberta, capacidades nucleares ou radiológicas à Ucrânia. Em comunicado, o órgão declarou que autoridades britânicas e francesas avaliam a “transferência clandestina de componentes, equipamentos e tecnologias europeias” para Quieve e, simultaneamente, preparam uma operação de informação para apresentar a eventual capacidade como se fosse “desenvolvida internamente” pela Ucrânia.

No mesmo comunicado, o SVR apontou que uma das hipóteses discutidas seria a entrega de uma ogiva francesa TN 75, usada em mísseis balísticos lançados de submarinos. Outra alternativa citada pelo serviço russo seria incentivar a construção de uma “bomba suja”, explosivo convencional com material radioativo, capaz de provocar contaminação prolongada de uma área.

O SVR afirmou que, ao possuir uma arma nuclear ou ao menos uma “bomba suja”, a Ucrânia buscaria “condições mais vantajosas” para encerrar o conflito. O órgão acrescentou que a Alemanha “recusou prudentemente” participar do que qualificou como uma operação perigosa. O serviço secreto russo ainda denunciou Londres e Paris por estarem perdendo “contato com a realidade” e advertiu que a responsabilidade por uma iniciativa desse tipo recairia sobre os dois países.

Após a divulgação dessas alegações, o presidente da Duma de Estado, Viatcheslav Volodin, declarou que o parlamento russo pretende votar uma resolução formal conclamando deputados do Reino Unido e da França a investigarem o conteúdo do comunicado do SVR.

O porta-voz do Crêmlin, Dmitri Peskov, classificou o caso como “extremamente importante” e “extremamente perigoso”, afirmando que a hipótese ameaça o regime internacional de não proliferação. Peskov disse que Moscou levará o tema às negociações sobre a Ucrânia, observando que a data de uma nova rodada ainda não foi acordada. Ele também apontou que um fornecimento desse tipo configuraria “flagrante violação” do direito internacional e colocou o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) no centro da questão, já que Reino Unido e França são potências nucleares reconhecidas pelo tratado.

Medvedev ameaça resposta nuclear

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvedev, comentou o assunto à emissora russa RT e afirmou que a Rússia responderia com armas nucleares se países da OTAN entregassem armamento atômico à Ucrânia. “Vou ser direto e dizer o óbvio”, disse. Medvedev declarou que a transferência de capacidade nuclear ao “regime nazista em Quieve” mudaria “inteiramente” a situação e qualificou o cenário como “transferência direta de armas nucleares para um país em guerra”.

Medvedev afirmou que, se isso ocorrer, “não deve haver dúvida” de que a Rússia usaria “quaisquer meios à sua disposição”, incluindo armas nucleares não estratégicas, contra alvos na Ucrânia que ameacem o país e, “se necessário”, também contra “as nações fornecedoras”, que estariam implicadas em um conflito nuclear com a Rússia. Ele ressaltou que essa reação seria uma resposta simétrica e algo a que a Federação Russa tem direito.

Budapeste, Munique e o golpe de 2014

Autoridades ucranianas frequentemente sustentam que o país abriu mão de um arsenal nuclear em troca de garantias de segurança que, depois, teriam se mostrado inúteis. A discussão remete aos Memorandos de Budapeste, de 1994, que ofereceram garantias políticas — não obrigações juridicamente vinculantes — a Ucrânia, Bielorrússia e Cazaquistão de que sua integridade territorial seria respeitada após a transferência de armas nucleares soviéticas para a Rússia.

Em 2022, na Conferência de Segurança de Munique, Vladimir Zelensqui sugeriu que Quieve poderia reconsiderar o status de país não nuclear, pouco antes do início da Operação Militar Especial russa. A Rússia, por sua vez, defende que, após o golpe de 2014 orquestrado pelo imperialismo em Quieve, a ditadura instaurada rompeu o compromisso de neutralidade do período pós-soviético ao tornar a adesão à OTAN eixo da política externa.

Putin: ameaça a gasodutos e aumento de atentados

Também nesta terça-feira (24), o presidente Vladimir Putin declarou, em uma reunião ampliada do conselho do Serviço Federal de Segurança (FSB), que a Rússia tem conhecimento de planos para atacar gasodutos transmar Negro, como o TurkStream e o Blue Stream. Putin afirmou que a iniciativa busca sabotar o processo de negociações para encerrar o conflito e disse que informações sobre planos contra “sistemas de gás sob o mar Negro” foram obtidas por serviços de inteligência. Ele não atribuiu a autoria e afirmou que o tema seria tratado na parte fechada da reunião.

Putin afirmou ainda que o número de crimes ligados ao terrorismo na Rússia aumentou e que a maioria deles é obra de serviços de inteligência ucranianos e de “controladores estrangeiros”. Ele exigiu maior eficiência, com ênfase em ação preventiva, e pediu reforço da proteção a autoridades do Ministério da Defesa e do setor industrial militar, além de jornalistas, voluntários e figuras públicas.

O presidente russo citou um ataque ocorrido no domingo (20), perto da estação ferroviária Saviolovski, na região de Moscou, em que um policial foi assassinado e dois outros ficaram feridos; o autor também morreu na explosão. Putin disse que o caso tem relação com recrutamento pela Internet e descreveu um método de ação em que o explosivo é entregue e detonado remotamente, atingindo o alvo e o executor.

No campo da infraestrutura, autoridades russas vêm apontando ataques ucranianos com drones de longo alcance contra instalações em terra, tentativas de atingir embarcações que patrulham gasodutos e ações com drones marítimos. Em outubro, o diretor do FSB, Aleksandr Bortnikov, havia declarado que Ucrânia e Reino Unido preparavam um ataque ao TurkStream e citou planos contra outras instalações críticas na Rússia com drones e mergulhadores-sabotadores. No histórico do conflito, a explosão dos gasodutos Nord Stream, no mar Báltico, em setembro de 2022, segue como o maior ataque a infraestrutura energética submarina da história moderna.

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