O presidente da Sérvia, Alexandre Vucic, declarou na quinta-feira (13) que o país está se preparando para uma possível agressão militar por parte de Croácia, Albânia e Cosovo. Em entrevista à Rádio e Televisão da Sérvia (RTS), Vucic afirmou que Belgrado acompanha de perto a cooperação militar entre os três e considera que há uma articulação hostil dirigida contra o país.
“Eles estão esperando um momento favorável. Nós estamos nos preparando para o ataque deles”, declarou Vucic.
A declaração foi feita no âmbito do acordo trilateral de cooperação em defesa assinado por Croácia, Albânia e Cosovo em Tirana, em 18 de março de 2025. O entendimento foi apresentado oficialmente como mecanismo para reforçar a segurança e a interoperabilidade militar entre os três, mas o governo sérvio afirma que a iniciativa tem caráter diretamente voltado contra a Sérvia.
Ao comentar a situação militar do país, Vucic afirmou que a Sérvia possui mísseis chineses ar-superfície de alta velocidade, com alcance de até 400 quilômetros. Ele apresentou esse armamento como parte da capacidade de dissuasão sérvia e disse que o país dispõe de meios suficientes para responder a ameaças vindas da região. Também afirmou que a Sérvia mantém “relações honestas e boas” com a OTAN, inclusive com perspectiva de exercícios conjuntos, mas insistiu que o país seguirá uma política de neutralidade militar.
A existência desses mísseis passou a ser usada pelos países alinhados à OTAN como justificativa para ampliar a pressão sobre a Sérvia. O primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenković, confirmou na sexta-feira (13) que informou o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, sobre a aquisição sérvia do sistema chinês CM-400AKG, depois que imagens do armamento acoplado a caças MiG-29 da Força Aérea sérvia circularam publicamente.
Plenković afirmou que a informação era relevante para a aliança militar e seus membros. Ao mesmo tempo, declarou que não esperava que esse tipo de armamento fosse usado contra países vizinhos. Ainda assim, insistiu que a Croácia acompanha de perto os acontecimentos na Sérvia e reforçou que Zagreb tem investido no fortalecimento de suas próprias capacidades militares no marco de seus compromissos com a OTAN.
O míssil CM-400AKG, fabricado pela China Aerospace Science and Industry Corporation, é descrito nos informes divulgados como um míssil balístico ar-superfície de alta velocidade, com alcance entre 250 e 400 quilômetros. O armamento pode carregar ogiva explosiva de 150 quilos ou ogiva penetrante de 200 quilos, destinada a atingir alvos fortificados. Vucic afirmou que a Sérvia adaptou seus caças MiG-29 para operar esse sistema e declarou que o país se tornou o primeiro operador europeu da arma.
Autoridades croatas alegam que a aquisição poderia alterar o equilíbrio militar regional e abrir caminho para uma nova corrida armamentista nos Bálcãs. Vucic rejeitou essa argumentação e voltou a denunciar a Croácia por atuar, nos últimos 18 meses, como principal apoio logístico para ações voltadas ao enfraquecimento da Sérvia, além de interferir nos assuntos internos do país.
Em sua entrevista à RTS, o presidente sérvio afirmou que a aliança militar entre Albânia, Croácia e Cosovo está “diretamente voltada contra a Sérvia”. Também procurou tranquilizar a população ao dizer que o país tem “forças suficientes para uma mensagem clara de dissuasão” e declarou possuir “um exército mais forte do que todos os países da antiga Iugoslávia”.
A movimentação ocorre em meio ao agravamento das tensões políticas e militares nos Bálcãs Ocidentais. Nos últimos anos, os países da região intensificaram programas de modernização militar, em grande parte sob a coordenação direta ou indireta da OTAN. No caso sérvio, além dos mísseis chineses, o país adquiriu o sistema de defesa aérea FK-3, VANTs de combate CH-92A e também encomendou 12 caças Rafale à francesa Dassault, além de helicópteros e aviões de transporte da Airbus.




