Camponeses que estão em luta em Maceió desde a segunda-feira (6) ampliaram, na manhã de terça-feira (7), a mobilização contra a ameaça de despejo de cinco mil famílias que vivem nas áreas ocupadas das antigas usinas Laginha e Guaxuma, pertencentes ao Grupo João Lyra.
Os trabalhadores rurais realizaram uma marcha pelo centro da capital alagoana e ocuparam a frente do Tribunal de Justiça de Alagoas. A ação se soma à ocupação da frente do Palácio do Governo, que já reunia mais de mil trabalhadores há mais de 24 horas.
“Nossas organizações seguem cobrando do Governo do Estado e do Governo Federal a suspensão desses despejos e que as áreas do Grupo João Lyra sejam de fato encaminhadas para fins de Reforma Agrária”, afirmou Marcos Antônio, o Marron, da Frente Nacional de Luta (FNL).
Segundo Marron, os movimentos estão nessas áreas há mais de 10 anos. Participam da mobilização o MST, a FNL, o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), o Movimento Via do Trabalho (MVT) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Os camponeses exigem reunião emergencial com o governador Paulo Dantas (MDB), com a superintendência do Incra, comandada por Cesar Aldrighi, com a ministra Fernanda Machiaveli, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, e com a presidência do TJ-AL.
“Todas as áreas, onde hoje vivem cerca de cinco mil famílias, estão sob ameaça de despejo”, afirmou Margarida da Silva, da coordenação nacional do MST.
A disputa pelas terras do Grupo João Lyra se arrasta desde 2013 e 2016. A falência do grupo, com dívida estimada em mais de R$3 bilhões e cerca de 19 mil credores, foi encerrada pela Justiça alagoana, que declarou extintas as obrigações e autorizou a reativação das empresas. O empresário e ex-deputado federal João Lyra (PSD) morreu em 2021.



