General iraniano

Seis anos sem o inigualável Qassem Soleimani

Assassinato de Soleimani foi tentativa de impedir que unidade dos oprimidos no Oriente Próximo se concretizasse e se expandisse, enfraquecendo o Eixo da Resistência

Neste sábado (3), completaram-se seis anos do assassinato de Qasem Soleimani, o general iraniano que foi o arquiteto do Eixo da Resistência no Oriente Médio.

Em uma operação criminosa, uma aeronave norte-americana matou Soleimani perto do Aeroporto Internacional de Bagdá, no Iraque, enquanto ele viajava para uma reunião com o primeiro-ministro iraquiano, Mustafa Al-Kadhimi. Ao lado de Soleimani, morreu Abu Mahdi al-Muhandis, comandante das forças de mobilização popular do Iraque e grande aliado do Irã. A República Islâmica do Irã reagiu com ataques de mísseis a bases dos EUA no Iraque.

A exemplo de outros crimes do gênero cometidos pelo imperialismo e pelo serviço secreto sionista, o ataque visava enfraquecer um movimento que vinha se consolidando como uma das principais forças políticas da região, com o Irã liderando uma frente que incluía o partido revolucionário libanês Hesbolá, grupos iraquianos e sírios, além dos movimentos palestinos. A morte de Soleimani, porém, longe de diminuir a força da Resistência, fortaleceu ainda mais os laços entre esses grupos, que seguem seu legado na luta contra o imperialismo e a ocupação sionista.

Soleimani teve um papel fundamental na resistência do povo libanês contra a invasão sionista de 2006. Durante a Guerra de Julho, quando o Hesbolá enfrentou de forma decisiva as forças militares israelenses, o general iraniano esteve “na linha de frente” com os combatentes libaneses, como destacou o general do Hesbolá Said Haidar. “Soleimani transmitiu uma mensagem urgente do líder iraniano Ali Khamenei para Hassan Nasseralá, dizendo: ‘confie em Deus, você deve permanecer firme, temos plena confiança na vitória da Resistência'”, relatou Haidar. A presença de Soleimani nas batalhas, seu apoio estratégico e logístico, foi fundamental para que os revolucionários libaneses conseguissem infligir pesadas derrotas ao exército israelense, forçando-os a abandonar o Líbano.

Além de sua atuação militar direta, Soleimani foi crucial para a organização e estruturação do Hesbolá, proporcionando treinamento, recursos e estratégias. Na batalha de Bint Jbeil, uma das mais intensas da Guerra de Julho, Soleimani foi um dos principais responsáveis pela coordenação das forças de resistência, que resistiram ao avanço das tropas israelenses. A vitória do Hesbolá em 2006 não apenas consolidou a força do movimento no Líbano, mas também estabeleceu um modelo de resistência que seria reproduzido por outras organizações da Resistência, incluindo o Hamas e as milícias iraquianas.

Soleimani também teve um papel crucial na tentativa de unificar as diferentes organizações do mundo árabe, tanto sunitas quanto xiitas, em um exército de Resistência comum, capaz de enfrentar a ocupação e as intervenções imperialistas. Em declarações do Mufti do Iraque, Xeque Mahdi al-Sumaidaie, ele revelou que em suas 16 reuniões com Soleimani, o general iraniano já discutia a formação de um exército unificado de muçulmanos para combater a tirania do imperialismo e do sionismo. Essa visão incluía a colaboração de diferentes grupos, independentemente de suas vertentes sectárias, e visava a criação de uma frente única contra os interesses imperialistas, especialmente dos EUA e de “Israel”.

A morte de Soleimani, portanto, foi uma tentativa de impedir que essa unidade se concretizasse e se expandisse, enfraquecendo o Eixo da Resistência.

Por todas essas razões, Soleimani é lembrado como um herói dos povos oprimidos do Oriente Médio. Seu papel decisivo nas vitórias contra o imperialismo e o sionismo, sua capacidade de unir diferentes facções árabes e muçulmanas, e seu trabalho incansável para fortalecer o Eixo da Resistência, fazem dele uma figura central na história recente da região.

Nascido em 11 de março de 1957, o primeiro contato de Soleimani com o movimento revolucionário iraniano foi através Hojjat Kamyab, um pupilo de ninguém menos que Ali Khamenei, o atual líder do Irã. Isto se deu em 1975, quando Soleimani tinha apenas 18 anos. Com a revolução, no ano de 1979 juntou-se ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o mais importante órgão dentro das Forças Armadas Iranianas. Apesar do pouco treinamento que possuía, avançou rapidamente, de forma que ajudaria a evitar uma revolta de curdos no nordeste do Irã, logo após o triunfo da Revolução.

Pouco depois, Soleimani participaria da guerra Irã-Iraque, quando o imperialismo impulsionou Saddam Hussein a invadir o país vizinho, em 1980. Iniciando no conflito como líder de um batalhão, Soleimani chegou a ser comandante de divisão, sempre participando das principais operações.

A guerra duraria até o ano de 1988, resultando na morte de um a dois milhões de pessoas. Estima-se que, do lado iraquiano, morreram entre 100 mil e 500 mil militares. Já do lado iraniano, o número de mortes seria entre 200 mil e 600 mil. Civis que perderam a vida, seriam mais de 100 mil. O resultado de uma guerra provocada pelo imperialismo norte-americano, que se utilizou de um país oprimido (Iraque, no caso) para tentar conter uma Revolução em outro (o Irã). Apesar de certos veículos de informação do imperialismo propagaram que o resultado da guerra foi inconclusivo, o fato é que a Revolução Iraniana não foi derrotada e continua firme até os dias atuais, travando a luta anti-imperialista no Oriente Médio.

Os feitos de Qassem Soleimani no decorrer do conflito serviram para consolidá-lo como o grande líder militar que foi.

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