Líbano

Secretário-geral do Hesbolá: ‘não há solução além de resistência’

Em pronunciamento pelo Dia de Al-Quds, Naim Qassem afirmou que a guerra é de autodefesa e que o Líbano só poderá barrar a agressão pela resistência

O secretário-geral do Hesbolá, xeique Naim Qassem, afirmou nesta sexta-feira (13), em pronunciamento pelo Dia de Al-Quds, que a guerra em curso no Líbano é uma ação legítima de autodefesa diante da agressão de “Israel” e declarou que “não há solução além de resistência”. Segundo ele, a atual ofensiva representa uma ameaça de existência não apenas ao Líbano, mas a toda a região.

Ao tratar da nova etapa da guerra, Qassem rejeitou a alegação de que a recente salva de mísseis do Hesbolá teria provocado a agressão sionista. “Vocês não se sentiram provocados por quinze meses de agressão contínua?”, perguntou. Em seguida, afirmou que o Líbano não atravessa uma situação normal, mas uma campanha contínua e brutal que já dura mais de quinze meses.

O dirigente explicou que a direção do Hesbolá se reuniu em três ocasiões para discutir o momento de responder. Segundo ele, nas duas primeiras avaliações, a organização concluiu que ainda era necessário dar mais tempo ao caminho político e às tentativas diplomáticas. Qassem disse que diversos interlocutores entraram em contato com o Hesbolá pedindo mais prazo para essas iniciativas, mas acrescentou que, no último mês, os debates em “Israel” passaram a girar em torno da realização de uma grande ação militar contra o Líbano, restando apenas a definição do momento.

Na avaliação do secretário-geral, a situação mudou com o aprofundamento da agressão contra o Irã e com o assassinato do “líder da Uma, Saied Ali Khamenei”. Qassem afirmou que, diante disso, a resistência concluiu que havia chegado o momento adequado para enfrentar “Israel”. “Por um lado, o inimigo realiza agressões há mais de um ano e não mostra qualquer sinal de que vá parar. Por outro, nosso imã e líder foi assassinado. E, quando a batalha se desenvolve ao mesmo tempo que aquilo que o Irã enfrenta, isso cria uma oportunidade para enfraquecer o inimigo”, declarou.

O dirigente informou que a resposta do Hesbolá integra a Operação “Palha Devorada”, batalha libanesa voltada à defesa de todo o país. Segundo Qassem, o nome foi retirado da surata Al-Fil, do Alcorão, e remete ao episódio do “Ano do Elefante”. De acordo com ele, a escolha simboliza a resistência diante da agressão. “Esta não é uma guerra em nome de ninguém”, afirmou. “É uma batalha puramente libanesa voltada à defesa de todo o país”.

Ainda sobre a operação, Qassem disse que a resistência chegou a essa etapa depois de constatar que o Estado libanês não conseguiu garantir a soberania nacional nem proteger a população. Também afirmou que o Hesbolá tirou lições da operação “Povo da Firmeza” e sustentou que “Israel” não dispõe, neste momento, de capacidade para alcançar seus objetivos estratégicos.

Ao justificar a continuidade da luta, o secretário-geral declarou que “Israel” ampliou a agressão ao destruir casas, atingir instituições como a Al-Qard Al-Hasan e deslocar à força cidades inteiras. “Não há solução exceto a resistência”, afirmou. “Caso contrário, o Líbano corre o risco de sua própria destruição”.

Qassem acrescentou que o Hesbolá se preparou para uma confrontação prolongada e afirmou que o campo de batalha demonstrará as capacidades da organização. “O inimigo verá nossa determinação”, disse. “Suas ameaças não nos assustam”. Em outro trecho, descreveu os combatentes do Hesbolá como homens sem medo, prontos para enfrentar o inimigo a curta distância, e afirmou que eles são “o sal desta terra”.

Segundo o dirigente, a força da resistência se apoia em três pilares: fé em Deus, compromisso com a justiça e a vontade política, além das capacidades militares acumuladas. Também afirmou que, no léxico da resistência, “não existe derrota nem rendição” e que a luta atual é “uma batalha pela própria existência”, e não um confronto menor.

Dirigindo-se ao governo libanês, Qassem pediu o fim das “concessões gratuitas” e das conversações sem resultado. Segundo ele, apresentar exigências sem receber qualquer resposta de “Israel” apenas prolonga a guerra. “Parem com essas concessões”, declarou. “O inimigo só se tornará mais audacioso. O Líbano é o país atacado, então por que vocês estão fazendo concessões gratuitas?”. Ele também afirmou que o governo tem o dever de enfrentar a agressão, revogar medidas contra a resistência e não apunhalá-la pelas costas, priorizando a unidade nacional para deter o ataque antes de qualquer outro debate.

O secretário-geral também respondeu às ameaças feitas por Benjamin Netaniahu, que declarou querer assassiná-lo. Qassem citou uma conhecida frase atribuída ao imã Ali ibn Abi Talib e afirmou: “suas ameaças não significam nada. É você quem deve temer por si mesmo”. Ele acrescentou que a atual agressão dos Estados Unidos e de “Israel” é a causa do sofrimento do Líbano e que a resistência do Hesbolá é uma resposta defensiva que preservou o país ao longo dos últimos 40 anos.

Ao tratar da base social do Hesbolá, Qassem afirmou que a resistência e seu povo de apoio são “pessoas de honra, dignidade e orgulho”, e sustentou que as tentativas sionistas de intimidá-los fracassaram. Também declarou que as populações deslocadas à força seguem contribuindo ativa e voluntariamente para a resistência e que a prioridade, diante da situação atual, é deter a agressão, não a resistência.

No encerramento, o dirigente vinculou a batalha atual ao Dia de Al-Quds e conclamou os povos árabes, os povos muçulmanos e os povos livres do mundo a se colocarem ao lado da Palestina. Também destacou a importância da unidade com o Irã. Segundo ele, a data representa apoio aos oprimidos, vontade de independência e crença na liberdade humana.

Qassem citou Ruhollah Khomeini para afirmar que o Dia de Al-Quds não se limita à questão palestina, mas corresponde ao levante dos povos oprimidos contra os arrogantes. Ao final, declarou que a instabilidade vivida na Ásia Ocidental há mais de 70 anos decorre da ação dos Estados Unidos e de “Israel”, e afirmou que essa política impede a região de alcançar estabilidade duradoura.

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